O presidente da Companhia de Habitação de Foz do Iguaçu (Cohafoz), Edson Stumf, pode ser forçado a prestar esclarecimentos na Câmara de Vereadores por causa das denúncias de perseguição dos três mil sem-teto cadastrados pela companhia. A Folha mostrou o cadastramento feito por Stumf, onde os sem-teto são obrigados a posar para fotógrafos da prefeitura com plaquetas penduradas no pescoço.
O método do cadastramento, que segundo a prefeitura seria uma forma de coibir os invasores profissionais que vendem o terreno logo depois de ser comtemplados, causou polêmica nas sessões da Câmara. O líder do prefeito Harry Daijó (PPB), vereador Vilmar Andreola (PSDB), defendeu o cadastramento. O vereador Assis Paulo Sepp (PT) voltou a classificá-lo como nazismo: ‘‘Uma perseguição’’.
Sepp apresenta hoje requerimento pedindo o depoimento do presidente da Cohafoz. ‘‘Somente depois de ouvi-lo nós vamos analisar a necessidade formar uma comissão especial para investigar se houve abuso de autoridade’’, explicou. Segundo Marina Dalomolin, uma das cadastradas, ela foi humilhada e foi forçada por um assessor do vice-prefeito Paulo Mac Donald (PDT), conhecido como Valdir, a posar para fotografia. ‘‘Parecíamos bandidos enfileirados na frente dos barracos’’, denuncia.
Stumf disse que as fotografias vão servir de propaganda de sua administração. ‘‘Eu quero mostrar à imprensa a foto da pessoa cadastrada, na do barraco e depois com a casa pronta’’, disse, garantindo que não vai negar a prestar depoimento na Câmara. Em Foz existem sete mil famílias em áreas invadidas.

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