Londrina - A roda de Terapia Comunitária Integrativa não necessita de encaminhamento. "A pessoa pode estar passando na rua e entrar. É um espaço aberto e não é um tratamento", explica a coordenadora municipal Maria da Graça Martini, reforçando que os encontros são espaços de escuta, partilha e vínculo entre os pares da comunidade. "Na roda, cada um é doutor da própria dor. Cada um é terapeuta de si mesmo. Ninguém vai lá para dar conselho, é a sabedoria da comunidade resgatada no grupo de apoio que vai criar outras possibilidades de solução."
A cada encontro, o grupo faz a escolha do assunto a partir de um tema, seguindo dois critérios: aquilo que mais os tocou e por qual motivo. Segundo Maria Lúcia Reis, da Abratecom, esses recursos chamados de "pretextos pedagógicos" ajudam as pessoas a justificar suas escolhas, além de aprenderem a se posicionar.
"Sempre é com uma perspectiva de superação. No final da roda, a gente faz uma reflexão e tenta extrair o que saiu de positivo. A função da roda não é curar e sim acolher o sofrimento. A gente sempre diz que quando a boca cala os órgãos falam, mas quando a boca fala, o corpo sara", declara.
Com mais de 25 anos de prática, a TC revela resultados positivos. Em 2005, uma pesquisa aplicou 12 mil questionários com terapeutas no país para avaliar o impacto do serviço. De acordo com Maria Lúcia, 88% das pessoas trazidas nas rodas encontravam resolutividade na própria terapia comunitária e só 11,5% demandavam ir para serviços especializados. "Isso foi tão impactante que o Ministro da Saúde se interessou pelo serviço. Ele viu que é uma ferramenta de baixo custo e de alto impacto, pois podemos trabalhar com 10, 15 ou 80 pessoas em uma mesma roda", comenta. (M.O.)

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