'Cada pessoa tem uma história de vida'
Na avaliação da psicóloga Luciana Alvarez, a sexualidade entre os idosos deve ser vista com naturalidade. ''O sexo faz parte do cotidiano. Não é porque a pessoa atravessa a linha dos 60 anos que vai deixar isso de lado. Assim como outras atividades permanecem ao longo do tempo, o sexo também deve continuar fazendo parte da rotina'', afirma.
Segundo ela, o assunto tem se tornado mais evidente devido à abordagem feita pela mídia. ''Com o aumento da qualidade de vida, os idosos passaram a ser vistos como um nicho de mercado. Como estão vivendo com mais qualidade, a sociedade passou a percebê-los como consumidores de lazer, saúde e outros segmentos'', analisa.
Apesar dessa abertura, Luciana diz que muita gente ainda tem preconceito em relação à sexualidade entre os idosos. ''É preciso considerar o envelhecimento um processo natural. Existe um mito de a qualidade do sexo diminui com a idade. Isso pode ou não acontecer. Não existem regras, cada pessoa tem uma história de vida'', diz.
De acordo com Luciana, a própria família muitas vezes representa uma barreira para os idosos quando o assunto é namoro. ''Muitos filhos ficam enciumados quando o pai ou mãe que se separou ou ficou viúvo resolve se relacionar novamente. Nessa hora, geralmente a primeira preocupação é o interesse financeiro que a outra pessoa pode ter em relação ao familiar. O bom senso sempre deve prevalecer em qualquer situação. Simplemente isolar o idoso para que não corra riscos nem sempre é a melhor alternativa'', aconselha.
A psicóloga destaca que geralmente os idosos buscam uma relação afetiva e não apenas o sexo pelo sexo e que o fato de manter relações sexualmente saudáveis traz inúmeros benefícios. ''É importante ter uma relação de prazer. A troca de afeição e carinho contribui para melhora da autoestima, autoconfiança, faz com que a pessoa se sinta amada e desejada. Isso tudo acaba refletindo na qualidade de vida'', afirma. (M.R.)





