Genaro da Silva considera a habilidade um dom. Ele conta que há cerca de 15 anos viu um rapaz tocando violino e sentiu que era capaz de produzir um instrumento como aquele. ''Algumas pessoas duvidaram. Na época eu morava em Aracajú (SE) e procurei um luthier de lá. Peguei algumas informações sobre a confecção do violino e produzi o meu, levei mais ou menos 90 dias para fazer o primeiro, mas depois peguei o jeito.''
Um dos tesouros do artesão é a planta do violino Stradivarius, que conseguiu com um amigo luthier. ''Este é um violino muito famoso, de uma sonoridade impressionante. A planta é utilizada como modelo, a partir dela faço cópias fiéis ao instrumento original. Além disso, utilizo a mesma planta para a produção dos violoncelos, só amplio as medidas, respeitando a escala.''
Para ele, cada instrumento é como um filho. ''Tenho sempre curiosidade em ouvir o som daquilo que estou fazendo, mas depois de pronto, já quero voltar ao trabalho para construir outros e fico ansioso novamente para ouvir o novo som.''
Ele acrescenta que com o tempo surgiu o desejo de ensinar o ofício, mas ainda não houve oportunidade para colocar a idéia em prática. ''Gostaria de montar um projeto em um bairro carente para ensinar algumas crianças. Mas para isso preciso do apoio de empresas que me ajudem a custear a ideia.''
Na família de Genaro não existe nenhum músico nem ninguém que já tenha trabalhado construindo instrumentos. O filho Sidney Dias Silva, é o único que toca os violinos produzidos pelo pai. ''É gratificante, uma honra acompanhar a produção e tocar um instrumento feito pelo meu pai.'' Ele ajuda na execução do ofício. ''Acompanho a produção e auxilio em algumas partes. Acho que futuramente vou assumir o trabalho junto com meu pai.'' (M.A.)

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