Cada detalhe é descrito com cautela
Na quinta-feira, dia 10 de janeiro, Lidiane Soares saiu de casa às 7h20 e foi abordada por Joelson Ferreira na esquina. Ela descreveu cada detalhe com cautela. Lidiane contou que o ex-companheiro a chamou, desceu de um carro de passeio e não um táxi (como havia sido divulgado anteriormente), e veio em sua direção. "Fiquei paralisada. Ele se aproximou e disse que veio ver o Nicolas e eu falei que só veria o filho na presença da polícia. Nesse momento ele sacou a arma da mochila e foi em direção da minha casa, dizendo que ia matar todos", disse.
Ferreira apressou o passo e Lidiane o seguiu, pedindo que esperasse no portão, pois pegaria o Nicolas. Nessa hora, Ferreira a agrediu e entrou na casa. "Ele já estava muito agressivo e vi que o argumento de ver o filho era apenas uma desculpa, pois ele nem olhou para o menino. Ele queria fazer coisa ruim mesmo", alegou.
Lidiane foi jogada no chão e bateu a cabeça. Ela, a mãe, a sobrinha e o filho foram mantidos na sala, sob ameaça. "Minha mãe chorava muito e o Nicolas não sabia o que estava acontecendo. Diante de tudo isso, eu só pensava em me manter calma. Quando ele percebeu a presença da polícia, mentiu dizendo que tinha explosivos na mochila, mas mostrava para nós as munições que carregava nos bolsos", contou.
Em pouco tempo, Ferreira trancou todos em um quarto pequeno e não autorizava ninguém sair, nem para beber água ou usar o banheiro. "Tivemos que empurrar um guarda-roupa para a porta do quarto porque ele tinha receio da polícia invadir. Ele estava nervoso o tempo tendo e às vezes ria e chorava. Mas eu não tinha dúvidas de que ele estava ciente do que estava fazendo", revelou Lidiane, ao afirmar que as negociações com a polícia ocorreram por meio do celular e que o ex-marido não dormiu em nenhum momento. Ele acompanhava o noticiário pela internet.
A primeira a ser liberada foi a sobrinha de 13 anos, quase seis horas depois. Seis horas mais tarde, a mãe Lídia foi libertada, por estar muito nervosa.
Durante a madrugada, ele brincou no computador com o filho e quis conversar com Lidiane sobre a possibilidade de reconciliação. "Eu me mantive calada o tempo todo. Quando se passaram 24 horas do sequestro, me disse que ia libertar o Nicolas porque a polícia ia invadir", revelou. O garoto foi libertado nas primeiras horas da manhã de sexta-feira.
Nas horas finais do sequestro, Lidiane tentou convencê-lo a acabar com a situação. "Eu não estava mais aguentando. Chorei várias vezes porque eu não me via mais saindo viva. Achava que a qualquer momento ele ia me matar porque ele mesmo dizia que não sabia se queria sair vivo ou morto", desabafou.
Uma prima de Ferreira tentava por telefone, incentivá-lo a se entregar. "O advogado apareceu para esclarecer algumas dúvidas dele. Em seguida, negociou a rendição e pediu para não ser algemado. Antes de se entregar, ele me olhou e pediu desculpas", relembrou. (M.O.)





