Cada área deve ter funções diferenciadas
Todos os profissionais entrevistados pela Folha comentaram que as ações de recuperação de áreas verdes realizadas nos últimos anos pela administração municipal tiveram aparentemente um caráter pontual, sem o planejamento adequado. ''Tais projetos devem ser pensados de forma integrada. Nas áreas verdes de lazer, são sempre colocados os mesmos equipamentos: pista de caminhada, parquinho. Seria melhor dar funções diferenciadas para cada área, para que a população de várias partes da cidade percorra diferentes espaços'', aponta Ângela Buchmann.
Num exemplo: uma área poderia ter pistas de skate, outra uma quadra de bocha, outra estrutura para esportes aquáticos. Aliada a essa variedade, a prefeitura procuraria outras formas de estimular as comunidades a frequentarem áreas verdes que não sejam apenas as de seus bairros ou de locais próximos. ''Deve haver um sistema integrado, com ligação viária facilitada entre as diversas áreas verdes e conexões culturais e esportivas, através de uma programação anual de eventos que passem pelos vários espaços'', completa Ângela.
''Uma forma de diminuir custos seria incentivar parcerias com as universidades. Na UEL, as áreas verdes são objetos de projetos nas aulas do curso de Arquitetura. Esse laboratório de idéias poderia contribuir, mas é importante lembrar que a responsabilidade e os subsídios cabem à prefeitura'', acredita Eloísa Ribeiro.
Os arquitetos acreditam que a iniciativa privada pode colaborar na recuperação e na valorização de áreas verdes, mas o poder público inevitavelmente tem que tomar as rédeas do processo. ''São poucas as empresas que têm interesse em desenvolver projetos do tipo, pois elas naturalmente visam retorno financeiro. Quem investe na área quase sempre são as que devem alguma coisa ao poder público e desejam melhorar sua imagem. A iniciativa privada poderia ser atraída através de incentivos fiscais'', opina Carlos Kuhnlein.
Eloísa Ribeiro conclui que, ainda que a escassez de recursos financeiros atrapalhe, os primeiros passos não são complicados. ''Apenas uma calçada e iluminação já fazem grande diferença, pois o londrinense já possui uma cultura de realizar caminhadas no fim da tarde. É necessário planejar estes espaços de forma conjunta e que sejam considerados aspectos técnicos e políticos. O técnico elabora, o político viabiliza''. (F.G.)





