Cacique recebe apoio da Funai
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quinta-feira, 08 de janeiro de 1998
Luciane Tonon 
Dorico da SilvaSulivan de Oliveira: cacique matou em defesa dos índiosO presidente da Funai Sulivan Silvestre de Oliveira defendeu o cacique Reginaldo Sales Batarse, 27 anos, que matou o ex-posseiro Adenilson da Silva Cruz, 25 anos, em novembro de 97 na reserva Barão de Antonina em São Jerônimo da Serra (95 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio). Oliveira expôs sua posição durante uma reunião com representantes das reservas do Norte do Estado, ontem em Londrina. Ele diz que o cacique matou em defesa do povo da reserva e da vida.
Após o ocorrido, delegamos imediatamente um advogado da Funai para defendê-lo e com certeza absoluta ele vai ser absolvido, afirmou Oliveira. Segundo ele, a Funai não recomenda agressividade, mas neste caso foi em legítima defesa. Quanto aos crimes e irregularidades cometidas entre os índios, o presidente ressaltou que também haverá punição, como no caso do casal Edite e Luiz Amaral, envolvidos na morte da índia Suzana Frederico, 11 anos, em dezembro, na reserva São Jerônimo. No momento que o índio infringir os conceitos da comunidade e agir fora da lei, ele também vai responder pelo que fez, garantiu.
O presidente do Conselho Indígena do Norte do Paraná Lourival Oliveira informou que a punição para Edite será a transferência para a aldeia Pinhalzinho, em Tomazina, onde deverá cumprir quatro anos de prisão. Luiz também será transferido para local ainda não decidido.
Sulivan Oliveira informou que está pedindo a presença da Polícia Federal nas reservas em São Jerônimo da Serra, a fim de encerrar a guerra histórica entre posseiros e índios, que dura mais de 20 anos. Estamos a um passo de vencer esta guerra.
Saúde, educação e agricultura, foram as principais reivindicações dos representantes das 17 reservas indígenas da região Norte do Estado, feitas ontem em Londrina ao presidente da Funai. Os índios alegam falta de estrutura para cultivo, maior sustento deles. Nossa intenção será de fomentar e gerar riquezas dentro das comunidades indígenas, aproveitando a vocação de cada uma, acrescentou Oliveira.


