O maior medo do cacique da reserva de Rio das Cobras, José Oliva (foto), é que sua raça tenha o mesmo destino que a dos xetás. ‘‘Meus filhos precisam de melhores condições, por isso, estou lutando para reverter a atual situação’’, diz Oliva, que é caingangue e coordena a reserva, onde vivem também xetás e guaranis. Ele ameaça, junto com a tribo, explodir as pontes que dão acesso às regiões Oeste e Sudoeste, como ato de protesto.
Oliva (cujo o ‘nome de mato’ é Komo) foi um dos caciques que participou do bloqueio de rodovias estaduais e federais no começo do mês. Na época, caingangues, guaranis e xetás, do Rio das Cobras, em Nova Laranjeiras (118 km a leste de Cascavel) e de Mangueirinha (76 km ao norte de Pato Branco) bloquearam a BR-277, e o acesso de Mangueirinha a Pato Branco, na PR-365.
‘‘O prazo para eles quitarem as dívidas contraídas em compras de alimentos, combustível e remédios termina no fim do mês’’, diz, avisando que depois dessa data iniciam-se novos protestos. Ao todo, a Funai deve aos fornecedores paranaenses R$ 122 mil, quase R$ 100 mil na região de Novas Laranjeiras. Com a dívida, os fornecedores deixaram de entregar produtos.
O cacique entende que o poder público está abandonando os índios. ‘‘Basta olhar a estrada de acesso à aldeia’’. No caminho à Reserva de Rio das Cobras é possível encontrar crianças correndo atrás dos carros pedindo comida (‘‘Me dá um biscoito. Me dá bolacha. Me dá bala ou Real’’).
Oliva considera que a reserva carece de melhor estrutura. Ela conta com 12 aldeias, a maioria formada por caingangues. ‘‘Por todo o lado, entram caçadores matando os poucos animais’’, afirma. Para ele, a situação pode ser generalizada para todas as 17 reservas do Paraná.
‘‘A única forma de reverter este processo é acabar com a fome, dando condições para melhor produzirmos’’, diz. No caso específico de Rio das Cobras, Oliva entende que há necessidade de financiamentos para produção agrícola, que deveriam vir acompanhados de treinamento. (I.R.)

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