Cacique caingangue mata líder de posseiros a tiros
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segunda-feira, 17 de novembro de 1997
Londrina 
O líder dos posseiros que frequentemente invadem terras da Reserva Indígena Barão de Antonina, Adenilson da Silva Cruz, o Nego Saruê, foi morto com três tiros disparados pelo cacique Reginaldo Sales Batarse, 27 anos. O crime ocorreu ontem de manhã, no distrito de São João do Pinhal, em São Jerônimo da Serra (95 quilômetros ao sul de Cornélio Procópio).
Nego Saruê era procurado pelas polícias Civil e Federal, por furto e invasão de terras. O policial civil Paulo Dias, de São Jerônimo da Serra, informou que Nego Saruê teria surpreendido o cacique agarrando-o pelo pescoço, enquanto trocava o pneu de um carro da Funai próximo do distrito.
A agressão foi presenciada por várias testemunhas. Batarse estava armado e atirou no agressor. Em seguida, o cacique fugiu. A sogra de Saruê, a índia caingangue Eloína Porfíria, disse que o genro tinha saído para comprar alho para fazer almoço. Eloína foi expulsa da reserva por não concordar com antigas lideranças que arrendavam terras e aliou-se aos ex-posseiros.
Dia 23 de outubro, liderados por Nego Saruê, posseiros colocaram fogo em três casas da reserva e num reflorestamento de eucaliptos, logo após terem sido retirados da área pela PF. Ontem, a Folha publicou uma matéria especial sobre o conflito de terras na Gleba do Cedro.
A maioria das famílias de índios caingangues da reserva estão com medo e querem a transferência para outra área por causa das invasões dos posseiros. Famílias de posseiros afirmam que as terras da reserva não são dos índios e garantem que eles só estão na área por questões políticas.


