Marcos NegriniAdestramentoOs cachorros foram doados para o canil de Maringá, onde vão receber treinamento de cães de guardaOs sete cachorros que mataram na quinta-feira passada o menino Gleike Aparecido Pego, de 2 anos e 5 meses, em Quinta do Sol (43 km ao norte de Campo Mourão) foram levados ontem para um canil em Maringá. A retirada dos cachorros da Fazenda Santa Rita, a pedido dos donos da propriedade, foi acompanhada pela Sociedade Protetora dos Animais (SPA) de Paranavaí. Os animais deverão ficar no canil para treinamento e serem transformados em cães de guarda.
‘‘O que aconteceu na fazenda foi muito lamentável e não há dinheiro que pague a vida daquela criança, mas tudo não passou de um acidente’’, disse o presidente da SPA, Ivo Lopes. Ele acompanhou pessoalmente a retirada dos animais e se impressionou com a falta de agressão dos cães - 3 filas, 2 box, 1 mestiço de fila com box e 1 fox paulistinha. ‘‘Não dá para entender como eles foram atacar o menino’’, ressaltou. Lopes chegou a pegar os cães no colo. ‘‘Eles são dóceis’’, disse.
Os sete cachorros foram doados para um canil de Maringá. Eles deverão ficar pelo menos 90 dias em adestramento até se tornarem cães de guarda. ‘‘Só não levei esses cachorros para a minha casa porque já tenho muitos cães’’, frisou Lopes. Ele conta que acompanhou a retirada dos cães porque tinha medo que os animais fossem sacrificados. ‘‘Nossa função é atuar como advogado dos cachorros’’, explicou.
Retorno O delegado de Quinta do Sol, José Abílio, já ouviu o depoimento da mãe e do pai do menino morto, Maria Aparecida e Valdomiro Váter Pego. Outras testemunhas devem ser ouvidas esta semana. Até ontem à tarde, porém, não havia novidades no caso. O menino Gleike morreu com cerca de 250 mordidas em todo o corpo quando acordou à noite e saiu procurar a mãe, que tinha ido até o secador de soja da fazenda, onde o marido estava trabalhando.
Pego e a mulher devem voltar hoje à casa onde moravam, na Fazenda Santa Rita. Eles têm uma filha de 5 anos e estavam se recusando a voltar enquanto os cachorros continuassem na fazenda. O casal temia pela segurança da filha. Os três estão desde sexta-feira na casa do sogro de Pego, em Quinta do Sol. Segundo Ivo Lopes, da Sociedade Protetora dos Animais, o próprio Pego mantinha na casa dele um cachorro que era filho dos sete acusados pela morte do menino.

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