CURITIBA Cachorros atacam e matam um rapaz Em apenas um dia duas pessoas foram agredidas por cães. André Gonçalves Dias, 17 anos, teve ferimentos múltiplos e morreu no hospital José Suassuna‘‘SEMPRE NA PIOR’’A catadora de papel Rosângela Dias, mãe de André, não acredita que o filho tenha entrado no terreno para roubar Luciana Pombo De Curitiba Um menor morre e uma menina fica ferida por causa de ataques de cães em Curitiba. O caso mais grave aconteceu por volta das 18h10 de anteontem. Dois rapazes entraram num terreno em construção da Rua Antonio Petruza, entre as ruas Morretes e João Geara, no bairro do Portão. Um deles, André Gonçalves Dias, de 17 anos, desceu o telhado e foi atacado por dois cães da raça Rotweiller que estavam soltos no pátio. A Polícia Militar foi chamada para atender a ocorrência. Um dos policiais acabou dando oito tiros em direção aos cães e acertou um deles, que morreu no local. O companheiro de Dias não chegou a descer do telhado. Ele mesmo foi informar a família sobre o acidente com o menor, que era catador de papel. Dois estudantes disseram que assistiram toda a correria no terreno da Escola Ensitec do prédio onde moram. ‘‘Eles subiram no telhado e um deles resolveu descer para pegar alguma coisa, sei lá o que. Quando o outro percebeu o ataque dos cachorros tentou fazer alguma coisa e pediu por socorro’’, contou o estudante Pedro Rogério Reitz Júnior, 10 anos. Outro estudante, Iuri Camilo Sakhur, 12 anos, disse que viu quando o colega de Dias tentou matar um dos cães. ‘‘Ele estava armado com paus, pedras e tijolos. Tentou de tudo, só que não conseguiu matar nem afastar o cachorro’’, declarou ele. Dias foi levado ainda com vida para o Hospital do Trabalhador, onde recebeu os atendimentos iniciais e foi conduzido para a sala de cirurgia. De acordo com Angelo Luiz Tesser, diretor-técnico do hospital, ele apresentava ferimentos múltiplos, principalmente no pescoço e no rosto. ‘‘Tentamos suturar, conter os sangramentos, mas foi impossível’’, afirmou. André Dias morreu por volta dos 15 minutos da madrugada de ontem. A dona de casa Rosângela Moreira Pinto Dias, 33 anos, mãe do menor, contou que é catadora de papel há três anos, desde que perdeu o emprego. O marido e o filho também ajudavam no trabalho. ‘‘Nós nos sustentávamos com esse dinheiro’’, afirmou ela, que é mãe de outros dois menores – uma menina, de 11 anos e um menino, de 5. Anteontem, o marido dela saiu de casa, no Parolin, para catar papel e o filho saiu com um amigo, maior de idade, que ela não soube dizer o nome. ‘‘Eu só sei que ele mora em Pinhais. Era muito amigo do meu filho’’, afirmou ela. Rosângela disse que não acredita que seu filho estivesse tentando furtar. ‘‘Me disseram que eu não tenho direito de nada, que meu filho estava errado. Apesar de tudo, trata-se da vida de um menor’’, declarou ela, com lágrimas nos olhos. ‘‘Quem não tem dinheiro fica sempre na pior. A gente não tem nada, não tem dinheiro, não sabe o que fazer para conseguir Justiça’’, disse. Vila Fany Outro caso de ataque de cachorro ocorreu no início da tarde de anteontem, na Vila Fany, em Curitiba. A menina Loana, de 4 anos, foi brincar com o cachorro antes de ir para a escola. De acordo com as informações prestadas pela Polícia Militar, a menor brincava – desde quando nasceu – com o cão, identificado pela família como ‘‘Fred’’. O animal – que é mestiço de Pastor Alemão e Collie – mordeu o rosto da criança, que teve que passar por uma cirurgia plástica, mas passa bem.

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