Cachorra é morta a tiros ao latir para pedestre
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terça-feira, 04 de abril de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A morte de uma cachorra a tiros no terreno do antigo Ginásio Colossinho (Zona Oeste de Londrina) ontem de manhã deixou revoltadas pessoas que presenciaram a cena. Os tiros foram disparados por um policial da reserva que, segundo informações de moradores da região, é contratado para fazer a segurança externa de uma loja da rede de supermercados Viscardi, instalada do outro lado da rua.
A cachorra estaria latindo para uma jovem que resolveu cortar caminho pelo terreno que há cerca de uma semana começou a ter os muros destruídos, para limpeza e comercialização dos lotes , quando o policial resolveu intervir, desferindo quatro tiros contra o animal.
''Uma pessoa que estava passando de carro viu a moça parada e a cachorra latindo para ela, e entrou com o carro, dando uma batida de leve, só para assustar o animal'', relatou o lavador de carros Cléber Elizeu, que trabalha em um posto de gasolina vizinho do terreno. ''Quando ele (policial) chegou, a cachorra já estava correndo para longe, não precisava fazer mais nada. Mesmo assim ele atirou, foi uma covardia'', acrescentou.
Elizeu disse que presenciou tudo o que aconteceu. ''Foi um absurdo. Ele podia ter atingido alguém com aqueles tiros'', afirmou o lavador de carros.
A professora Maria Angélica Vicente também criticou o uso de arma de fogo em uma situação como esta. ''Estamos revoltados com tanta brutalidade. Não sei se a cachorra chegou a atacar a moça, mas a cachorra morava no local há bastante tempo e foi ensinada a guardar aquele espaço, estava cumprindo a sua missão'', afirmou. ''Como uma pessoa saca de uma arma e atira contra um animal assim, em público? Foi uma arbitrariedade'', criticou a professora.
O caseiro Manoelito Dias Cruz esclareceu que mora no terreno há seis anos e foi contratado para proteger o local de invasores. Ele sempre manteve quatro cachorros, dois deles mais bravos, que foram levados na semana passada. A cachorra morta ontem, da raça ''policial'', nunca havia atacado ninguém, segundo o caseiro. ''Eu saí para ir ao médico, e quando cheguei encontrei esta situação'', relatou.
A gerente de Recursos Humanos do Viscardi, Virgínia Maria Landi Simões, informou que o policial não estava a serviço do supermercado, mas fazia compras na loja quando ouviu falar de um cachorro que estava atacando uma pessoa próximo dali. O 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) não soube informar a identidade do policial reformado.


