Se o amor é cego como dizem por aí, a cadelinha resgatada pelos bombeiros na tarde de anteontem pode ficar tranquila. Desde ontem – quando recebeu um novo lar – além de muita água e comida, ela vem ganhando muita atenção. Batizada de ‘‘Lilica’’, a cadela passou dois dias presa em meio a arbustos numa ribanceira no Jardim Tropical (Zona Norte). Ainda na manhã de ontem, poucos minutos depois de ler a matéria na FOLHA, a esteticista Sonia Fontana correu até o posto do Corpo de Bombeiros para buscar o animal, que agora faz parte de sua família.
  ‘‘Eu chorei quando li a matéria. Não entendo como alguém pode abandonar um bichinho assim. Ela estava judiada, machucada. Vou fazer de tudo pra ela ficar bem e vou até guardar o jornal com sua foto porque ela é uma cadelinha muito linda’’, comentou a nova dona.
  Em meio a tanto amor e carinho, a cachorra passou por um tratamento vip. A esteticista, que já possui uma cocker da mesma cor que Lilica, chamou uma médica veterinária para ir até sua casa examinar o animal. ‘‘Temos uma poodle que é cega também. A gente ama muito os animais. Há uns quatro anos eu peguei uma vira-lata que estava na rua, mas ela não resistiu aos ferimentos e morreu. Tomara que a Lilica fique bem’’, disse.
  Durante todo o dia de ontem o Corpo de Bombeiros recebeu diversos telefonemas de pessoas interessadas em adotar o animal. ‘‘O posto da Zona Norte recebeu umas dez ligações e a gente aqui da central de atendimento recebeu mais um monte’’, comentou o sargento Xavier.
  Durante os exames feitos na casa de Sônia, a médica veterinária Helena Takahashi e sua assistente constataram alguns ferimentos na barriga de Lilica, além da presença de sarna e carrapatos, mas garantem que ela vai ficar bem. Carente de carinho, a cadela chegou a dormir enquanto era examinada. ‘‘Ela aparenta ter uns 5 ou 6 anos, tem um tumor pequeno numa das mamas e é castrada. Vamos dar um remédio e fazer alguns exames, mas ela parece estar muito bem e é uma cachorra muito boazinha’’, disse.

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