Caçadores da dengue
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quarta-feira, 18 de junho de 2014
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Londrina - Ser um agente de Endemias não é para qualquer um. Além de coragem, é preciso força, agilidade e muita disposição. Requisitos que muitos não imaginam, pois a impressão é de que eles apenas dão uma "olhada" no quintal, preenchem o formulário e pronto.
Mas não. O trabalho rotineiro deles é muito cansativo. São eles e a população, os protagonistas no combate direto ao mosquito transmissor da dengue, Aedes aegypti. É um trabalho de "formiguinha" que não termina nunca.
A FOLHA acompanhou uma equipe na zona leste durante uma manhã inteira e, antes mesmo do final do serviço, o cansaço já emanava por todo o corpo, principalmente nas costas e pernas. "A gente acaba se acostumando, mas tem dias que voltamos quebradas para casa", diz uma delas.
O dia começa com o registro do ponto eletrônico na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima do bairro a ser "tratado", termo que eles usam para as vistorias feitas imóvel por imóvel. A equipe da manhã trabalha das 8 às 14 horas e é dividida pelas ruas, mas a comunicação acontece a todo momento pelo celular. O cronograma prevê que cada agente visite ao menos 25 imóveis por dia.
Enquanto pedem licença para adentrar às residências, é comum receberem uma primeira resposta contrária, como "já vieram aqui na semana passada" ou então "estou de saída, é rápido?" Porém, a recusa inicial termina quase sempre em permissão.
Enquanto alguns moradores preferem não conversar, outros se mostram com dúvidas e nessa hora os agentes devem fornecer o máximo de informações, de forma clara e direta. "Tem o vírus quatro circulando em Londrina. Se tiver dor de garganta, coceira pelo corpo e nariz, é bom procurar um médico porque os sintomas já não são mais os mesmos. Não se automedique e, por favor, continue limpando o quintal, verificando principalmente o compartimento atrás da geladeira e climatizador. A dengue está por toda parte", diz uma agente.
"Estou adorando essa campanha. A gente percebe que o trabalho está intensificado. Os agentes passam direito aqui em casa e nos deixam mais tranquilos", conta a dona de casa Márcia Cortes Lopes Garcia, moradora da Vila Áurea.
A região leste foi uma das mais preocupantes no mutirão emergencial realizado no início do mês. Isso porque as casas apresentavam um volume considerável de lixo. Para se ter uma ideia, de cada 10 imóveis vistoriados, seis apresentavam potenciais criadouros.
Ao andar pelas calçadas, os agentes não deixam passar um objeto sequer que possa acumular água. Aliás, esse olhar técnico é praticamente um critério para exercer a função. De quintal em quintal, as visitas seguem bem, considerando a presença de cães que não param de latir e ameaçar. A equipe repassa as orientações, preenche a ficha de visita e agradece os moradores.
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