Participantes da operação de salvamento de animais no reservatório de Salto Caxias vivem situações diferenciadas. Para funcionários da Copel não exclusivamente ligados à área ambiental, cada dia é uma jornada de trabalho cumprida. Os que atuam diretamente na área aprimoram técnicas que possam ser aplicadas em futuros projetos. Biólogos de outras instituições, por outro lado, analisam o trabalho como possibilidade de novos estudos científicos. Para os acadêmicos, a operação é a grande oportunidade de deixar a rotina da sala de aula.
Edson MazzettoOs ouriços encontrados estão entre os animais de maior porteJúlio Sicora, 39 anos, funcionário da Copel, atua como piloto de lancha diz que o que foi encontrado superou sua expectativa. Ele havia participado de operação parecida nos reservatórios de Salto Segredo e Jordão, ambos no Rio Iguaçu, onde, entre outras espécies, foi encontrado até tamanduá-mirim. ‘‘A gente pisava em cobras, de tanto que tinha’’. Durante 2 anos, Júlio fez contatos com agricultores que teriam terras alagadas em Caxias. Com essa função, ele percorreu toda a região e conta que viu apenas duas cobras.
‘‘Isso aqui é uma região muito devastada’’, comenta Júlio, que usa seus conhecimentos práticos para orientar jovens universitários participantes da operação. Segundo ele, salvar os animais não representa risco, mesmo em se tratando de cobras venenosas. ‘‘Desde que a gente saiba como pegá-las’’, acrescenta. Entre as experiências interessantes que viveu, ele relata a do final de um dia de trabalho, quando quebrou o motor da lancha que pilotava.
Apesar de cansado, o piloto teve que remar por cerca de 25 quilômetros à noite, durante quatro horas, até chegar a uma das bases de resgate. Em uma das saídas para resgatar animais, Júlio foi acompanhado pela gaúcha Patrícia Tierlinger, 21 anos, estudante de 2º ano de biologia na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre (RS). Caxias é a primeira experiência dela de ação na água. Patrícia acha tudo ‘‘muito importante’’, por enriquecer seus conhecimentos acadêmicos.
Carlos BorbaTatus e os outros animais resgatados ficarão numa estação ecológicaEmilson Grochoski Matias, 19 anos, também estudante de biologia na Universidade Estadual de Ponta Grossa, é outro estreante neste tipo de operação. Decepcionado porque com a colega gaúcha havia resgatado apenas um camundongo e duas cobras verdes, Matias saiu uma tarde e, em 2 horas percorrendo um trecho de 15 quilômetros próximo à barragem, teve mais sorte.
Ele, Júlio e Patrícia encontraram outra cobra, quatro caranguejeiras, dois lagartos e uma perereca, todos em cima de troncos e galhos de árvores arrastados pelas águas. Além dos estudante, estão envolvidos na operação pesquisadores de universidades do Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e São Paulo, da Itaipu Binacional e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

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