Cabos reclamam de humilhações na academia
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segunda-feira, 29 de agosto de 2005
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Pelos menos 16 cabos dos 121 que estão frequentando o curso para promoção a sargentos na Academia Militar do Guatupê, em Curitiba, denunciaram à representante do Movimento das Esposas de Policiais Militares em Londrina, Vera Rubbo, excessos que estariam sendo cometidos por parte de alguns instrutores. Os PMs teriam relatado que são sobrecarregados durante as instruções físicas e sofrem humilhações de todo o tipo. A denúncia teria sido repassada em abril para a Ouvidoria Geral do Estado mas os desmandos não teriam acabado.
Conforme Vera, os 16 policiais são de diversas cidades do interior e as denúncias chegaram a ela por meio de familiares. Eles descreveram que um grupo de pelo menos três instrutores estariam sobrecarregando as instruções físicas, o que, inclusive, já teria provocado lesões. Entre as supostas vítimas, estaria uma das três mulheres que frequentam o treinamento. Outra reclamação é com as constantes humilhações contra diversos ''alunos'' do curso.
Segundo a fonte da Folha, algumas famílias teriam encaminhado as denúncias para a Ouvidoria Geral do Estado logo no início do curso, em abril deste ano, mas até agora nenhum dos denunciantes recebeu resposta. ''Isso vem acontecendo há tempos mas muitos se calam por medo de retaliação ou perseguição e quero que seja instaurado um procedimento administrativo na Academia para apurar as responsabilidades'', afirmou. Ela disse temer a repercussão dessa reportagem, porque os cabos que teriam sido vítimas ficariam a mercê de seus agressores mas tomou a decisão de procurar a imprensa para chamar a atenção da sociedade.
A representante das esposas dos PMs destacou que esses desmandos estariam ocorrendo sem o conhecimento do comando da Academia, da Secretaria de Estado de Segurança Pública e do governador Roberto Requião. ''O que (os instrutores denunciados) estão fazendo na Academia vai na contramão do que o comandante-geral quer e do que o do governador quer. São alguns instrutores que ainda insistem em expedientes arcaicos para causar terror. Como desenvolver caráter do policial militar dessa forma?'', questionou.
Procurada pela Folha na sexta-feira, a assessoria de imprensa da Ouvidoria Geral do Estado explicou que o papel do órgão é registrar as denúncias, encaminhá-las, receber as respostas e transmití-las aos denunciantes através de carta, telefone ou e-mail. Neste caso, se a denúncia tiver sido formalizada oficialmente, ela foi encaminhada para a Ouvidoria das polícias Militar e Civil. Porém, a assessoria alegou que não teria como repassar informações sobre o caso porque o sistema só libera os dados quando é fornecido o número do protocolo da denúncia ou pelo nome da pessoa que denunciou. Vera alegou que não possuia o registro nem o nome do denunciante. A teria sido feita de forma anônima porque as famílias dos PMs têm receio de represálias.


