Cabo Verde pode se tornar a porta de entrada do Brasil no continente africano. A afirmação é do embaixador de Cabo Verde no Brasil, José Eduardo Barbosa. Ele esteve em Londrina participando da abertura do 13º Ciclo Afro-Asiático, organizado pela Associação Latino-Americana de Estudos Afro-Asiáticos do Brasil e que ocorre até o dia 17 de outubro. Ontem de manhã visitou a Folha, acompanhado de Eduardo Judas Barros, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e de Daniel Soares Oliveira, primeiro secretário da embaixada de Cabo Verde em Brasília. Também de manhã, inaugurou uma exposição sobre Cabo Verde, com fotos e painéis, no saguão da prefeitura de Londrina.
O embaixador acredita que as semelhanças culturais entre os dois países podem contribuir para o processo de aproximação. Além da língua e da colonização portuguesa, Brasil e Cabo Verde têm, por exemplo, uma população muito parecida, notadamente de formação multirracial.
‘‘Em 1975 o Brasil foi um dos primeiros países a reconhecer a independência de Cabo Verde (de Portugal)’, explica o embaixador.
O país africano - que foi colonizado por Portugal, a partir de 1462 - fez parte do itinerário das caravelas de Pedro Álvares Cabral, que chegou ao Brasil em 1500, e por muito tempo serviu de entreposto para o tráfico de escravos de Guiné para América. O contato diminuiu após a independência brasileira, em 1822, quando os cabo-verdianos também tentaram um processo parecido, sem sucesso. Mas aos poucos foi retomado a partir da década de 70, com o início do processo de democratização do País.
Hoje, o país - que fica a oeste da África e tem cerca de 400 mil habitantes - mantém 700 estudantes no Brasil, 11 deles morando em Londrina. José Barbosa comenta que a idéia é incrementar essa relação, com a participação de escolas brasileiras no processo de reformulação do ensino cabo-verdiano, que já está em curso. Para isso, o embaixador tem mantido contato com universidades e escolas técnicas - inclusive a UEL e também o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), de Londrina. A idéia é que o intercâmbio seja também ampliado para outros setores, inclusive a economia.

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