Rio - Apontado como um dos responsáveis pelo acidente com a lancha Pimba Pimbinha, que matou o estudante Gabriel Borges Soares, de 16 anos, e provocou a amputação das pernas da professora Andréa Salgado, de 33, o cabo da Marinha Marcos Manoel Correia Cavalcante foi indiciado ontem por homicídio e lesões corporais culposos. Em depoimento ao delegado Antenor Martins Júnior, da 165 Delegacia Policial (Mangaratiba), Cavalcante disse que não estava bêbado e nem acionou nenhum comando da embarcação. A versão é oposta à do piloto da lancha, Armelindo Corrêa de Miranda, indiciado anteriormente, que o acusou de estar embriagado e de ter acelerado o barco por engano.
''Eu indiciei os dois por homicídio e lesões corporais culposos. Estou convencido de que a conduta de ambos contribuiu para o resultado'', afirmou o delegado, ressaltando que a maioria das 15 testemunhas confirma a versão do piloto. ''A prova pericial de que o cabo estava bêbado não pode mais ser produzida, mas há farta prova testemunhal de que ele estava embriagado'', disse Antenor. Outras quatro testemunhas ouvidas ontem confirmaram a versão. Além de Miranda, uma segunda testemunha, que pilotava outro barco, disse ter visto o cabo acionar o acelerador da lancha.
Cavalcante, segundo o delegado, acusou Miranda de ser o responsável pelo acidente por ter abandonado o comando da embarcação. Antenor disse que não mais ouvirá testemunhas e aguarda os laudos periciais para encerrar o inquérito e enviá-lo à Justiça. O acidente aconteceu no dia 25, em Mangaratiba, litoral sul do Estado.
A lancha chocou-se contra um banana boat, atropelando o estudante e a professora. Ontem, Andréa recebeu a visita do secretário de Esportes de São Paulo, o velejador Lars Grael, que teve uma das pernas amputada em 1998, após ter sido atropelado por uma lancha. Ela deve ter alta no sábado do Hospital das Clínicas de Jacarepaguá.

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