Bonitas e clássicas, as cabines telefônicas inglesas dão um charme todo especial a Londrina. Mas nem elas escapam da ação dos vândalos. A FOLHA foi checar a situação das cabines na região central e encontrou situações absurdas, como uma cabine suja com fezes humanas e cheia de papel higiênico em pleno Calçadão. Ao todo, a cidade tem 18 cabines em estilo inglês.
A empacotadeira Michele da Silva costuma usar com certa frequência o telefone público e prefere as cabines por ter mais privacidade. No entanto, na tarde de ontem, ela quase sujou os sapatos com fezes ao tentar usar a cabine que fica no Calçadão, ao lado da Rua Professor João Cândido. Além disso, o papel higiênico usado também foi deixado no local.
''Situações deste tipo são frequentes e já encontrei outras cabines sujas também'', reclamou Michele. Para ela, a carência de banheiro público no Centro - existe apenas na praça Floriano Peixoto - se soma à falta de conservação e de educação de muitos usuários e quem sofre é quem precisa do telefone público.
O taxista Iran Trindade trabalha há 20 anos no ponto do Calçadão com a João Cândido e também criticou a falta de sanitários públicos na área central. ''Antes tinha banheiro aqui e em outros locais no Centro. Mas a Prefeitura acabou com eles e criou este problema.''.
Em outra cabine próxima, lixo e restos de lanche e salgadinhos forram o piso. E a lixeira está a dois metros.
Também no Calçadão, ao lado da Avenida Rio de Janeiro, um vidro lateral da cabine inglesa foi quebrado. E os estilhaços pontiagudos permanecem no local, oferecendo riscos a usuários e crianças.
O cabeleireiro Marco Antônio Garcia é um usuário frequente dos telefones públicos e disse que já encontrou todo tipo de situação. ''Já peguei telefone com chiclete colado, catchup e até sujo de fezes, sem contar aparelhos quebrados'', lamentou. Ele tem telefone celular, mas usa o telefone público por achar prático, mais barato em alguns casos e também para que o serviço não seja extinto. ''Se a gente deixar de usar, logo não vai ter mais'', apontou.
A assessoria da Sercomtel, empresa responsável pela manutenção e conservação das cabines telefônicas inglesas, informou que a funcionária responsável estava de licença médica e não haveria outra pessoa para falar sobre o problema. A Guarda Municipal vai fazer um levantamento nas imagens das câmeras de vigilância da área central para tentar identificar os autores dos atos de vandalismo contra as cabines inglesas.

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