Cabeleireiro sofreu preconceito e agressão
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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016
Simoni Saris<br>Reportagem Local 

A vida escolar do cabeleireiro Nicolas Silveira Zakorchini, de 23 anos, foi pontuada por episódios de discriminação e preconceito. Desde o início, ainda no ensino fundamental, seus trejeitos eram motivo de comentários dos colegas, que o excluíam das brincadeiras. No ensino médio, as agressões tornaram-se mais pesadas. Com frequência era xingado nos corredores da escola e, além das agressões verbais, chegou a sofrer agressões físicas.
O sofrimento psicológico era tão intenso que começou a ter reflexos no seu corpo. "Na hora de ir para a aula eu passava mal e cheguei a faltar algumas vezes às aulas. Foi aí que minha mãe viu que tinha coisa errada."
Movida pelas reclamações do filho, a mãe de Nicolas ia até a escola, a direção tentava trocar o garoto de turma, mas nenhuma atitude mais firme era tomada para impedir que as agressões continuassem. Além da falta de medidas mais enérgicas por parte dos dirigentes da escola, ele ainda teve de passar por situações nas quais os funcionários do colégio, sob o pretexto de ajudá-lo, usavam as ocorrências praticadas contra ele como deixa para invadir a sua privacidade. "Eu vivia na direção da escola, mas o pessoal não dava muita bola. Não tinha amigos que me defendiam. Foi uma época bem ruim", relembra.
A situação só começou a mudar quando ele entendeu que era homossexual. Quando assumiu a sua sexualidade para ele mesmo, para a família e para os colegas, as agressões diminuíram. "Foi no primeiro ou segundo ano do ensino médio. Eles começaram a ver que aqueles comentários não estavam me afetando e deu uma amenizada, embora alguns tenham piorado um pouco o tratamento comigo."
Ele acredita que o combate ao preconceito é feito com informação, o que não existia na escola estadual em que ele estudava. "Nunca foi abordado o tema transgênero. Não ia saber nunca isso na escola. Não tinha esse tipo de informação. O que eles falavam era sobre camisinha e método contraceptivo. Eu acho isso errado porque, sem informação, a galera que está no meio vai sofrer preconceito."
Hoje, Nicolas diz ter superado essa fase e se empenha em lutar pelo que acredita. "Não se trata só de sexualidade. O combate ao preconceito tem que ser contra tudo: raça, padrão de beleza. Eu tento o tempo todo desconstruir os padrões e ver beleza fora deles. É complicado, mas a gente vai lutando."(S.S.)


