Cabeleireira acusa PM de agressão
Mauricio Della Barba
De Londrina
A Polícia Militar de Londrina recebeu neste final de semana mais uma queixa de agressão física feita por um soldado da corporação. O cabo Alexandre Alves está sendo acusado de ter agredido três pessoas, entre eles um menor, na madrugada da última sexta-feira, no Jardim Antares (zona leste da cidade).
A queixa foi registrada na 1ª Companhia da PM, no Terminal Rodoviário, pela cabeleireira Andréa Cristina de Abreu, de 20 anos, e J.A, de 17 anos, duas das três vítimas da agressão. A terceira vítima preferiu não se identificar, com medo de sofrer ameaças por parte do PM.
Segundo Andréa, a agressão ocorreu por volta das 2h30, quando ela e os dois amigos se encontravam na frente de sua casa, em um terreno baldio, conversando em volta de uma fogueira. Alves, em seu dia de folga, estava sem a farda e passava pelo local, onde trabalha durante a semana como segurança. Segundo Andréa, no dia do ocorrido, outro guarda noturno fazia o serviço.
Alves teria chegado de carro e pedido aos três que apagassem a fogueira e fossem embora, alegando que estavam incomodando a vizinhança. Não estávamos fazendo barulho nenhum. Apenas conversando junto à fogueira, disse Andréa. Negando a algazarra, os três disseram ao cabo que só iriam embora assim que a fogueira se apagasse. Após discutirem, o cabo chutou a fogueira e partiu para cima do menor. Ele deu uns tapas no menino, depois chutou minha amiga. Tirou o revólver e disse que iríamos acabar com aquilo por bem ou por mal, contou Andréa.
Com medo, os dois amigos saíram correndo enquanto a cabeleireira permaneceu sentada em volta da fogueira. Fiquei parada olhando aquilo tudo sem motivo. Foi quando ele ficou nervoso e me deu um empurrão, que fez eu cair de costas na fogueira, explicou a cabeleireira. Andréa também afirma que foi chutada pelo cabo e que a agressão só não continuou porque a sua mãe chegou ao local.
O cabo Alexandre Alves, em depoimento ao seu superior, capitão Deliberador, confirmou as agressões feitas e alegou que a sua atitude foi em função da bagunça e do desrespeito dos três acusadores. A Folha tentou ouvir o cabo, mas ele não retornou as ligações.
Depois de prestar queixa contra o cabo, a cabeleireira afirmou que já foi ameaçada por Alves. Ele me ligou e disse que iria me arruinar mais cedo ou mais tarde, conta. Com medo, Andréa já não sai de casa durante a noite. De acordo com a PM, a queixa contra o cabo foi encaminhada ao comando do 5º Batalhão, que decidirá se abre ou não um Inquérito Militar para apurar o caso. Já outra queixa corre em nível civil, pois Alves se encontrava em folga do serviço militar quando foi acusado de cometer as agressões.





