De acordo com a sargento Tânia Guerreiro, muitas crianças nunca contam diretamente para os pais que estão sendo abusadas porque sofrem ameaças. ''Eles fazem um pacto de silêncio com a vítima que, para proteger a família, não diz nada.''
Checar a roupa íntima do filho, verificar quando ele se queixar de algo ou alguém, atentar para o excesso de atenção recebida de terceiros, não deixá-lo dormir fora de casa ou frequentar banheiros públicos sozinho, observá-lo entrar na escola e não deixá-lo ser fotografado por qualquer um são algumas dicas da polícia aos pais.
Para os professores, cabe perceber mudanças no comportamento do aluno. A criança que sofre abuso é tímida e ansiosa, fica isolada dos colegas, é incapaz de desabafar, tem tonturas, desmaios, sente culpa, raiva e vergonha. ''Tem aparência de criança doente, sofre distúrbios de sono e alimentação, perde a confiança nas figuras masculina ou feminina, reluta em voltar para casa e urina na cama'', assinalou Tânia.
Segundo ela, o professor deve ganhar a confiança do aluno e sutilmente perguntar se há algo errado. Se a criança confessar o abuso, o educador deve garantir que ela não é culpada pela situação e relatar o acontecido à direção do colégio, ''sem comentar com outros professores ou alunos para não constranger a criança''.
A direção da escola deve contatar os responsáveis pelo aluno, além do Conselho Tutelar e o Ministério Público, ''sob pena de responder por conivência e omissão'', avisou a sargento. (M.G.)

mockup