Cabe a cada um preservar os espaços públicos
Londrina - O arquiteto Humberto Yamaki cita que "estudos recentes sobre a questão da paisagem e memória revelam a importância cada vez maior da existência de espaços duráveis e reconhecíveis nas cidades". Neste entendimento, afirma que cabe a cada um preservar os espaços públicos de preferência ou de ligação afetiva. "Assistimos recentemente a algumas melhorias na Praça Marechal Floriano, tais como a retirada dos bancos quebrados e limpeza do Altar da Pátria. Vale a pena avançar mais", conclui.
Uma das formas de promover esse convívio e a valorização do espaço é, para os estudantes Valério Bernardo Dias e Rogério de Souza, ambos de 33 anos, tornar o local mais seguro ao entardecer, com a presença da Guarda Municipal permanente e a realização de eventos. "Passamos aqui todos os dias e nunca paramos para reparar. Hoje, nossa atenção foi despertada pela encenação do Filo. Para nós, está sendo muito agradável porque muda um pouco o nosso olhar sobre o espaço e acho que não seria diferente com outras pessoas", comenta Dias.
O taxista Olinto Cardoso Gaspar, de 81, sugere que o jardim seja resgatado. "Acho que deveriam ser plantadas muitas flores e o gramado, ser melhor cuidado", diz ele, que trabalha no local há 32 anos.
A diretora do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural de Londrina, Vanda de Moraes, ressalta que a Praça Marechal Floriano não é tombada como patrimônio histórico, mas explica que o espaço faz parte de um projeto que contempla vários segmentos e que foi encaminhado pela prefeitura municipal para o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
"Um dos segmentos é o Centro Histórico que inclui as praças. O projeto está em fase de análise. Porém, a manutenção tem sido realizada, como a capina, roçagem e limpeza. Já o fato da ocupação envolve vários fatores, como a mudança dos hábitos. Antigamente, as pessoas saíam da Igreja e iam para a praça ao lado, não havia outras formas de convívio social, ao contrário de hoje. Além disso, o comércio entorno, assim como confeitarias e bares abriam à noite, promovendo a circulação noturna", observa.
Vanda também comenta que as atividades culturais estão acontecendo, com o próprio Filo e o Festival de Música de Londrina, que também levou atrações ao local. "Ao longo da vida da praça, ela foi incorporando outros usos, como o Altar da Pátria, que infelizmente hoje não é mais. Fizemos uma solicitação para a Secretaria Municipal de Defesa Social para incluir a praça nessas comemorações, com a presença da Guarda Municipal e o hasteamento da bandeira, mas ainda não houve resposta", conclui. (M.O.)





