Sid Sauer
De Campo Mourão
A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Mourão está sendo obrigada, desde domingo, a ‘‘exportar’’ gestantes para outros municípios da região. A medida foi adotada depois que o Hospital e Maternidade São José, responsável por 85% dos partos realizados em Campo Mourão, pediu descredenciamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Os últimos atendimentos pelo SUS foram realizados no sábado. As tentativas de acordo apresentadas pela prefeitura fracassaram.
‘‘Reconhecemos a boa vontade do prefeito Tauillo Tezelli, mas a posição do hospital é pela desvinculação do SUS’’, confirmou ontem um dos diretores da maternidade, Heráclito Nogueira. Segundo ele, o estabelecimento só não deixará de atender casos de emergência e quando houver risco para a saúde da mãe ou da criança. Os demais casos que chegarem ao hospital São José serão encaminhados ao Posto de Saúde 24 Horas ou a outro hospital.
O anúncio do descredenciamento tinha sido feito há um mês pelo hospital, mas chegou ao conhecimento público há menos de 15 dias. Na semana passada, o estabelecimento colocou uma faixa em sua fachada comunicando o atendimento pelo SUS somente até o dia 1º de abril. A prefeitura passou os últimos dias estudando propostas alternativas, mas todas foram recusadas pela direção do hospital. A saída imediata passou a mandar as gestantes para outras cidades.
Ontem à tarde, a Maternidade Santo Antônio, de Araruna (19 km ao norte de Campo Mourão), confirmou que tinha feito um parto de uma gestante mourãoense. O hospital informou, no entanto, que já atendia mulheres de Campo Mourão mesmo antes do descredenciamento do São José. Outro hospital de Araruna, a Casa de Saúde Araruna, também confirmou ter feito o parto de uma mulher de Campo Mourão.
Em Campo Mourão, além do São José, apenas a Policlínica São Marcos faz atendimento de obstetrícia. No entanto, é responsável, em média, por apenas 20 dos 170 partos realizados mensalmente pelo SUS na cidade. O diretor clínico do São José, Heráclito Nogueiro, admitiu ontem que os outros hospitais da região poderão ter dificuldades para atender toda a demanda do estabelecimento. ‘‘O volume é muito grande’’, frisou.
Nogueira reclama que o valor pago pelo SUS é baixo e não cobre os custos do hospital. Segundo ele, o estabelecimento precisaria receber o dobro do que recebe hoje – R$ 100,00 por parto normal e R$ 220,00 por cesariana – para se manter credenciado ao Sistema Único de Saúde. O prefeito Tauillo Tezelli, que participou das tentativas de negociação, disse ontem que o município ‘‘tem que encontrar uma saída para quem não pode pagar’’.
A saída definitiva para o problema está na conclusão da Santa Casa. As obras estão em andamento, após quase três anos de paralisação, e devem ficar prontas ainda este ano. Ontem, a secretária municipal da Saúde, Rosemeire do Carmo Martelo, passou a tarde em reunião para discutir uma alternativa: a reativação do Hospital São Pedro, fechado há mais de 10 anos, para atender casos de obstetrícia.

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