Buzinhani detalha a extorsão e envolve vereador de Arapongas
Buzinhani detalha a extorsão e
envolve vereador de Arapongas
Presidente da Cativa reafirma denúncias contra ex-assessores da Câmara e questiona validade de amostras
Benê Bianchi e
Célia Baroni
Mais um nome foi envolvido no escândalo do leite, durante os depoimentos dos diretores da cooperativa Cativa, Osmar Buzinhani (diretor-presidente) e Alfredo Carvalho (gerente comercial) à Comissão Especial de Inquérito da Câmara de Vereadores de Londrina, ontem à tarde. Trata-se do vereador de Arapongas Marcelo Francisco Plastina (sem partido).
O nome de Plastina teria sido citado, segundo os diretores da Cativa, por Fredemax Mota, acusado de tentar extorquir R$ 30 mil da cooperativa para não divulgar o resultado dos laudos do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo. Além de Fredemax, também são acusados Aristeu Neves Rodrigues, ex-assessor do verador Alvair de Souza (PL); e José Rojas Gavilan, ex-assessor do vereador Beto Scaff (PSDB).
Os exames apontam que as amostras de leite tipo C (de saquinho) coletadas dia 17 de março com o acompanhamento e supervisão do promotor de Defesa do Consumidor, Leonir Batisti, estão em condições higiênicas insatisfatórias por apresentarem bactérias do grupo coliforme e coliforme de origem fecal.
Durante os depoimentos, os diretores da Cativa reafirmaram as denúncias feitas na semana passada e detalharam a tentativa de extorsão. Segundo eles, nas conversas mantidas com Aristeu Rodrigues e Fredemax - com os quais mantiveram contato - teria sido citado o nome do vereador de Arapongas, como responsável, juntamente com Gavilan, pelo contato feito com a Cooperativa Central Norte, de Apucarana.
Buzinhani contou que no dia 13 de abril Aristeu ligou três vezes para a Cativa. Não aceitou falar com outro diretor. Fazia questão de conversar com Buzinhani, que estava viajando. Dia 14, Buzinhani retornou a ligação e Aristeu disse que tinha um assunto para tratar, mas não poderia ser por telefone. Buzinhani e Alfredo Carvalho foram à Câmara no mesmo dia. Buzinhani levou um gravador e gravou toda a conversa.
A Central Norte também foi vítima da tentativa de extorsão. Segundo Buzinhani, os assessores de vereadores de Londrina e o vereador de Arapongas teriam pedido R$ 50 mil para reverter o laudo de análise do leite feita pelo Instituto Adolfo Lutz, comprovando falta de qualidade do produto. Com a Cativa, os contatos foram feitos, de acordo com o diretor, por Fredemax e Aristeu Rodrigues.
Plastina foi convocado ainda ontem para depor na CEI, na quarta-feira, a partir das 14 horas. No mesmo dia, irá depor o ex-vereador Jacy Aguiar e o promotor de Defesa do Consumidor, Leonir Batisti. Na terça-feira, a CEI ouvirá diretores da Central Norte.
O vereador Marcelo Plastina recebeu com surpresa a convocação da CEI. Não sei nem do que se trata. Ele diz que sabe quem é Gavilan, mas nunca esteve com ele. Quanto à Fredemax, o vereador afirma ser seu amigo. Ele é araponguense, mas depois que se mudou para Londrina o encontro muito esporadicamente. Ele acredita que seu nome tenha sido envolvido por ter procurado saber, junto aos produtores de leite de Arapongas, por que foram coletadas amostras de leite naquele município.
Também ontem, pela manhã, o presidente da Cativa prestou depoimento no 4º Distrito Policial, ao delegado Joaquim Mello, que preside o inquérito que apura a tentativa de extorsão. O depoimento durou mais de três horas. Em entrevista à Folha, Buzinhani ressaltou que não questiona o trabalho do Insituto Adolfo Lutz. Questionamos a validade das amostras apresentadas ao Instituto para análise.
Buzinhani afirmou que a Cativa só pode garantir a qualidade do produto até a saída da empresa. Após a distribuição, cabe aos revendedores conservar o produto em local adequado para que não sofra deterioração. Para ele, várias situações podem ter ocasionado a contaminação das amostras encaminhadas ao Instituto Adolfo Lutz. Ele explicou que o processo de homogeneização do leite reduz a quase zero o número de bactérias no leite, garantindo a qualidade do produto. Mas ressaltou que a conservação inadequada favorece a multiplicação dos microorganismos.
Para garantir ao consumidor a qualidade do leite da cooperativa, Buzinhani disse que foram enviadas novas amostras ao Instituto Adolfo Lutz para análise. O resultado deve ficar pronto até segunda-feira. A cooperativa pediu também um laudo oficial do Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura, responsável pela fiscalização da qualidade do leite produzido pela Cativa. A Cativa já conta com laudo elaborado pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), órgão da Secretaria de Agricultura de São Paulo, que aprova a qualidade do produto.





