Buzinas de trem enlouquecem moradores
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terça-feira, 23 de junho de 1998
Guilherme Pupo 
Acordar de madrugada com os ruídos da buzina de trens não é uma das experiências mais agradáveis, mas tem sido vivida diariamente por centenas de curitibanos que moram nos bairros cruzados pela ferrovia Curitiba -Rio Branco do Sul.
O problema foi intensificado após a privatização da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), o que gerou um aumento do volume de trens. Eles chegam a passar de duas a três vezes entre as dez horas da noite e as sete horas da manhã do dia seguinte, reclama o professor Eloy Casagrande Junior, que mora a 50 metros da linha de trem no Alto da XV.
Ele observa que moradores de oito bairros afetados pelo problema já enviaram um abaixo-assinado à Secretaria Municipal do Meio Ambiente, à Assembléia Legislativa e à empresa Ferrovia Sul Atlântico (FSA), responsável pela operação do trecho, mas que até agora nenhuma providência foi tomada.
O professor sugeriu como solução para o problema a melhor organização dos horários dos trens. Os curitibanos têm que pagar com sua saúde arruinada os lucros da Ferrovia Sul Atlântico e do Grupo Votorantim, que transporta seu cimento através da ferrovia, opinou ele.
Sinalização - A Ferrovia Sul Atlântico alega que os trens devem buzinar três vezes consecutivas a cada passagem de nível, conforme prevê o regulamento operacional do transporte ferroviário. Os maquinistas recebem orientação de buzinar por imposição legal e por necessidade. Quando há pessoas ou veículos na linha, eles buzinam mais, diz a gerente de Patrimônio da empresa, Patricia Pugas.
Segundo dados da empresa, apenas nos últimos 12 meses foram registrados 821 acidentes envolvendo trens na Região Sul - e 20% com terceiros (atropelamentos ou choques com automóveis).
A gerente de Patrimônio disse que o número de apitos poderia ser reduzido a apenas três se houvesse melhor sinalização nas passagens de nível - responsabilidade da Prefeitura. A buzina existe porque a sinalização não está tão boa quanto deveria estar, afirma Patricia Pugas.
A prefeitura informou que vai instalar nas próximas semanas sinalização luminosa e sonora em nove passagens de nível na região Norte da cidade. O projeto é do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) e Diretoria de Trânsito (Diretran), com investimento de R$ 370 mil.
Não tem jeito - O gerente de transportes da FSA, Carlos Dorio Cutini, alega que a ferrovia funciona 24 horas por dia e os trens são distribuídos na malha em função dos carregamentos - feitos em empresas que também trabalham 24 horas por dia. Ele disse que, na medida do possível, a empresa vai reduzir o número de trens circulando em Curitiba entre 0h e 6h, mas que não pode garantir. Se houver carga para ser transportada à noite, o trem vai ter que circular, não tem jeito, disse.Passagem de trens pelo menos três vezes durante a madrugada tira o sono de quem mora perto da linha férrea
Mauro FrassonProtestoCasagrande: Os curitibanos têm que pagar com sua saúde os lucros da Ferrovia e do Grupo VotorantimA buzina existe
porque a sinalização
não está tão boa
quanto deveria estar


