Bustos são esquecidos nas praças
Enquanto ainda é novidade e motivo de polêmica, o Zumbi de concreto tem a sorte que outras estátuas da cidade não têm: ser notado. De tempos em tempos, o busto do presidente militar Castelo Branco é alvo de intervenções bem humoradas, sendo ''presenteado'' com chapéus, panelas, machados e outros acessórios. Mas, em geral, estadistas, pioneiros e santos esculpidos com pompa e adornados por placas de bronze são ignorados.
Segundo a diretora de Patrimônio Histórico de Londrina, Vanda de Morais, um dos motivos é o desconhecimento das personalidades retratadas. ''São estátuas que não nasceram da vontade popular, algumas de figuras pouco conhecidas ou que nunca passaram por essa região, como Souza Naves''.
Uma caminhada pelo centro da cidade é suficiente para conhecer várias dessas personalidades e constatar que nenhuma escapou do limbo. Próximo ao Cine Teatro Ouro Verde e de costas para a rua Minas Gerais, o busto do primeiro prefeito de Londrina, Willie Davis, não conta sequer com os olhares curiosos de quem aguarda o ônibus no ponto, em frente à praça que também leva o nome do pioneiro inglês. Mais adiante, na Praça Getúlio Vargas, o presidente que tanto evocou o povo passa os dias apenas em companhia dos passarinhos. E até na Praça Sete de Setembro, onde foi colocada uma estátua de Nossa Senhora, é possível passar uma tarde inteira sem que ninguém sequer olhe para ela.
Para essas figuras esquecidas, o professor de urbanismo da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Humberto Yamaki, tem um consolo. De acordo com ele, monumentos, bustos e estátuas não precisam ser vistosos e impositivos. ''Eles marcam de maneira silenciosa a história do local, sem saltar à vista, tornando o espaço público um lugar de descobertas'', considera. Por outro lado, o professor alerta: as obras têm que passar por avaliação. ''Com um momumento você pode tanto dar novo sentido a um local como estragá-lo''.





