Buscas por Luana se intensificam
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quinta-feira, 20 de novembro de 2003
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
As buscas para encontrar a menina Luana Oliveira Lopes, 8 anos, sequestrada no último domingo, em Florestópolis (73 km ao norte de Londrina), ganharam ontem o reforço de dois investigadores e de um papilocopista da delegacia do Serviço de Investigação à Criança Desaparecida (Sicride), de Curitiba. Eles percorreram o trecho da PR-170 que corta os municípios de Florestópolis, Prado Ferreira e Rolândia, a possível rota do sequestrador, ocorrido no início da tarde do domingo.
''É uma área muito grande e há uma grande dificuldade porque ainda não temos o retrato falado definitivo e nem reproduções de foto da vítima'', explicou o investigador Valdir Picussa que, no final da tarde de ontem, retornou à Capital sem praticamente avançar nas investigafrções. Além do Sicride, estão trabalhando no caso policiais de Porecatu, Florestópolis, Prado Ferreira e Mirasselva.
Os policiais não admitem, mas a hipótese mais provável até o momento, é que a garota tenha sido vítima de um crime sexual. ''É um tiro no escuro'', disse ontem, em tom de desânimo o delegado de Porecatu, Edú Furtado Filho. O inquérito continua com poucas informações e se baseia quase que exclusivamente no depoimento do irmão de Luana, Diego Oliveira Lopes, 10, que também foi sequestrado mas logo abandonado. ''Pelo local escolhido para deixar o garoto, o motorista do caminhão conhecia bem a área. Deve ser morador da região'', explicou, convicto, o delegado.
A maior esperança das investigações é uma descrição mais detalhada feita pelo garoto. A tentativa já tem hora e local marcado. Diego ficará frente a frente com o médico-psiquiatra Rui Cruz Sampaio, na manhã de sexta-feira, no Instituto de Criminalística do Paraná, em Curitiba. Sampaio é especialista em regressão. ''Quem sabe ele não lembra-se do número das placas, de alguma característica física do motorista ou algum detalhe do caminhão'', apostou o delegado. Questionado sobre um possível fracasso na hipnose, Furtado Filho, suspirou e disparou: ''Na investigação, é preciso ter um pouco de sorte''.
Pela descrição do garoto, que foi espancado e deixado inconsciente 16 quilômetros adiante do local do rapto, o caminhoneiro estava em um caminhão-baú (cabine azul e carroceria clara) sem carga, com apenas alguns cobertores (usados como ''isca'' para atrair os irmãos).
O sequestrador agiu sozinho. É um homem de estatura mediana, branco, aparentando cerca de 30 anos. Usava uma bermuda azul, camiseta branca e chinelo. A reprodução de seu retrato-falado já está espalhada em locais de movimento em várias cidades. O caminhão usado seria um Mercedez Benz 608, de acordo com as características relatadas por Diego.
O borracheiro Adenilson da Silva, 32, porém, deu uma versão diferente em seu depoimento à polícia. No início da tarde de domingo, ele teria visto um Mercedez Benz 1113 de cabine azul, baú claro com letreiros vermelhos, trafegando lentamente entre 30 e 40 quilômetros por hora, segundo ele em frente ao seu estabelecimento. ''Até pensei que ele estava com o pneu furado. É um rapaz muito parecido com o retrato-falado, só que mais velho'', contou.
A pobreza da família da vítima se transformou em obstáculo para a investigação por pelo menos dois motivos. O primeiro é a falta de fotografias recentes de Luana e o segundo, o analfabetismo de Diego, que devido a constantes migrações da família em busca de trabalho, parou de estudar na primeira série. Ele não conseguiria entender nem mesmo as letras e números das placas e tampouco alguma inscrição no baú.


