Vânia Casado
De Curitiba
O ‘‘cemitério de motores’’ achado no aterro da mineradora Brascal, em Rio Branco do Sul (Região Metropolitana de Curitiba), não tem ligação alguma com Joarez Costa França, o ‘‘Caboclinho’’, argumentou Antônio Figueiredo Basto, advogado de França. Basto acusa a Promotoria de Investigações Criminais (PIC) e a Polícia Militar de manterem uma relação incestuosa e provocar uma ‘‘armação’’ para incriminar seu cliente, mas sem apresentar provas concretas.
Os trabalhos para desenterrar os motores foram interrompidos ontem, mas a área permaneceu isolada e guardada pela Polícia Militar. Entre a noite de sexta-feira e o sábado já haviam sido desenterrados 170 motores de veículos de passeio. O destino desses motores será decidido hoje pelo juiz da comarca de Rio Branco do Sul, autor do mandado judicial para escavar na área da mineradora. Segundo o promotor Vani Bueno, é provável que os motores sejam encaminhados à delegacia do município, já que hoje assume o novo delegado Sebastião Gaspar, considerado ‘‘muito sério’’. O delegado anterior, Hilário Trigo, foi afastado há pouco mais de uma semana por ser amigo de Caboclinho.
A perícia dos motores, que será feita pelo Instituto de Criminalística, deve ser iniciada hoje. Bueno antecipou que os motores ainda estavam com a numeração intacta, sem alterações. Com isso, será possível a identificação dos veículos e seus possíveis proprietários.
Como os promotores Luiz Eduardo Albuquerque e Paulo Kessler, que estiveram no local onde foram desenterrados os motores no sábado, Bueno também vincula a ocultação dos motores com Caboclinho, como uma necessidade de eliminar rapidamente provas que revelariam a ligação do narcotráfico com o roubo e desmanche de veículos no Paraná.
Bueno disse ainda que todos os indícios apurados até agora incriminam o prefeito do município, João Dirceu Nazari. ‘‘Se o prefeito não explicar direito como os motores foram parar em área de sua propriedade ou explorada por sua empresa, terá que responder por crime de receptação de material suspeito’’, afirmou.
Para o advogado de Caboclinho, seu cliente e o prefeito de Rio Branco do Sul estão sendo vítimas de uma armação política. Segundo ele, até agora não foi apresentada nenhuma prova concreta que indique a relação entre seu cliente e os motores encontrados.
Para Basto, a P2, serviço reservado da PM, não poderia estar antecipando suas conclusões sem apresentar provas documentais. ‘‘Isto é irregular e não tem validade alguma no processo criminal.’’ Ele disse que já se tornou corriqueiro o fato de a PM denunciar suspeitas como verdades e ter que se retratar depois.

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