Com quase 100% de certeza de que o homem que apareceu há dois meses no ‘‘Programa do Ratinho’’, no SBT, era o sacoleiro Claudomiro Viana dos Santos, desaparecido há oito anos, sobrinhos dele, que moram em São Paulo, vieram anteontem a Ciudad del Este, no Paraguai, para tentar encontrar o tio.
Depois que o programa apresentou uma reportagem sobre os brasileiros que estão presos na cidade paraguaia, a família que assistia ao programa teria reconhecido Santos durante entrevista. Certa de que o homem era mesmo o sacoleiro, a família foi até a sede da TV para rever o vídeo onde ele aparecia. Os parentes confirmaram à produção do programa que o homem que aparecia na entrevista contando que havia sido preso por roubo de caminhões, era mesmo Santos.
Com o objetivo de se certificar que o homem que apareceu no programa era Santos, os sobrinhos dele, Cleber de Oliveira, 20 anos, e Maria Carolina Vieira, 17 anos, acompanhados da advogada do programa, Regina Sbrighi Pimentel, chegaram anteontem a Foz do Iguaçu, de onde seguiram para Ciudad del Este.
Membros do Centro de Direitos Humanos (CDH) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e CDH de Foz do Iguaçu acompanharam os familiares na tentativa de encontrar o sacoleiro. Depois de mais de duas horas de negociações com a direção da Cadeia Regional de Ciudad del Este - que pela fotografia mostrada pelos familiares e pelo nome completo do sacoleiro não o reconhecia com um de seus presidiários - Cleber e advogada foram autorizadas a entrar na Cadeia.
Depois de analisarem todo o fichário com os nomes e fotografias dos presos, Cleber levantou a hipótese de que o tio tivesse registrado na cadeia com um nome falso. Com isso, a direção concordou em apresentar o homem que a família alegava ser Claudomiro dos Santos.
A semelhança entre Santos e o presidiário deixou o sobrinho em dúvida. O presidiário não reconheceu Cleber e os nomes dos pais dele não coincidiram com os nomes dos pais de Santos.
Chorando muito, Cleber saiu da Cadeia inconsolável e afirmou que não vai desistir de encontrar o tio. ‘‘Não me conformo porque vou ter que começar do zero. Eu tinha tanta esperança de que era o meu tio. Agora vou ter que continuar procurando’’, disse.
Desde que desapareceu, Santos manteve um único contato com a família no final do ano passado através de um telefonema. ‘‘Ele só disse que estava bem e tomaram o telefone dele. Ele não pode falar mais nada, nem sequer onde estava. Nós não temos a menor idéia do que possa ter acontecido com ele’’, disse Cleber.
O drama da família de Claudomiro dos Santos começou em 1990, quando ele ainda morava em Santa Cataria (o sobrinho não lembra o nome da cidade). Santos vinha semanalmente a Ciudad del Este fazer compras para revender na cidade catarinense. A família nunca soube do envolvimento dele com nenhum tipo de crime.

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