Burocracia provoca falta de insulina na rede pública
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de maio de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Cerca de 80 pacientes diabéticos de Londrina estão sendo prejudicados pela falta de insulina regular na rede municipal de Saúde, responsável pelo fornecimento gratuito desse gênero de medicamento. O problema teria sido provocado por falhas no processo de licitação para compra do produto, sob responsabilidade do Estado. O medicamento é um tipo de insulina de ação mais rápida, usado por diabéticos tipo 1 e 2.
Como a 17 Regional de Saúde (RS) de Londrina não está recebendo os medicamentos para repassar aos municípios, é provável que outras cidades da região também estejam sendo afetadas. A reportagem da Folha não conseguiu contato com a chefe da 17 RS, Vânia Gutierrez, nem com o diretor do Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar), Júlio Merlin, para saber a dimensão do problema na rede pública e questionar sobre soluções. Ambos participavam de reuniões em Curitiba, de acordo com os órgãos.
Em Londrina, a distribuição da insulina regular diretamente para os diabéticos é realizada no Centro de Saúde (Área Central). De acordo com a farmacêutica responsável do Centro, Márcia Olavo, o total de pacientes do Município, incluindo zonas urbana e rural, consome 90 frascos do medicamento por mês, em média. ''Dos 20 dias úteis de abril, ficamos 14 sem a insulina regular. A regional (17) mandou uma pequena parcela mas, desde o último dia 14, estamos sem o medicamento novamente'', esclareceu.
A informação é confirmada pelo relato do diabético Ricardo da Silva, 27 anos, que afirma ter se deparado com a falta do remédio no centro por duas vezes, apenas neste mês. ''É um medicamento essencial para certos tipos de diabéticos, se não usar descontrola a glicemia. Apesar disso, o pessoal (da Saúde) sempre deixa faltar, para depois correr atrás de licitação'', queixou-se. Ele apontou que o preço do produto nas farmácias pode chegar a R$ 40,00. O kit de tratamento de um diabético, ainda segundo Silva, soma R$ 400,00 por mês.
A diretora de planejamento da Secretaria Municipal de Saúde, Rosângela Libanori, garantiu que está pressionando o Estado para repor a insulina regular, e indicou que o Município não descarta a possibilidade de adquirir o medicamento com recursos próprios, como medida paliativa. Segundo ela, a última licitação deveria ter sido feita no dia 23 de abril.
''Por questões burocráticas, o Estado não conseguiu nos fornecer o medicamento. Poderemos optar por fazer uma compra de emergência, para suprir as necessidades'', afirmou. Ela não especificou uma data para sanar o problema. De acordo com a diretora, a insulina normal, consumida por cerca de três mil diabéticos de Londrina, está sendo fornecida em dia.


