Pacientes que sofrem de algum tipo de câncer e que necessitam do tratamento à base de quimioterapia e radioterapia estão sendo prejudicados pela demora na liberação de guias do Sistema Único de Saúde (SUS) que autorizam os procedimentos. A denúncia foi feita à Folha nos últimos dias por doentes, que no entanto não querem se identificar por medo de represálias e interrupção no tratamento.
A dona de casa Maria da Silva - nome fictício - conta que, no início desta semana, já estava internada no Instituto de Câncer de Londrina (ICL) para receber a aplicação da quimioterapia, mas acabou recebendo alta sem o tratamento por falta da guia do SUS. ‘‘Eu estava recebendo soro para a dilatação da veia, quando deram a notícia de que não poderia receber a quimioterapia porque o SUS não havia liberado a guia. Preciso deste medicamento para curar minha doença, continuar viva e criar meus dois filhos.
Segundo ela, que tem 40 anos de idade e reside em Londrina, o tumor cancerígeno localizado no pescoço começou a reagir negativamente por falta desta que seria a terceira aplicação de quimioterapia. ‘‘As aplicações devem ocorrer sempre a cada 28 dias. Temo que o processo de cura seja interrompido e a minha saúde prejudicada. Meu tumor, inclusive, voltou a inchar nestes últimos dias’’, afirma Maria da Silva.
Em Londrina, este tipo de tratamento atende cerca de mil pacientes e é prestado através do SUS nos hospitais ICL, Alto da Colina - que pertence ao Hospital Evangélico - e Hospital Universitário. O diretor clínico do Instituto de Câncer, Mário Liberatti, admite que alguns pacientes têm tido atraso no atendimento em consequência da demora na liberação da guia pelo SUS. ‘‘Mas é por poucos dias, nada que prejudique a saúde do paciente e o tratamento. É normal que o paciente, com uma doença grave, fique preocupado. Mas ninguém será prejudicado’’, garante Liberatti.
De acordo com ele, o ICL está mantendo o atendimento inclusive sem a garantia de que receberá posteriormente do SUS. ‘‘Cerca de 50% das aplicações de quimioterapia do mês de novembro não tiveram ainda a liberação das guias de autorização pelo SUS’’, ressalta o diretor clínico. O ICL realiza perto de 500 procedimentos quimioterápicos mensais para pacientes do SUS. As aplicações de quimioterapia - juntamente com a radioterapia e cirurgia - formam o tripé básico na tentativa de cura dos diferentes tipos de câncer.
Em Londrina, a emissão das guias para as aplicações de quimioterapia e radioterapia e posterior pagamento delas aos hospitais é centralizada na Diretoria de Controle e Avaliação da Secretaria Municipal de Saúde. A responsável por ela, médica Rosângela Libanori, explica que alguns problemas ocorreram porque a nova sistemática de controle deste setor foi implantado pelo Ministério da Previdência Social no início de novembro.
‘‘É uma questão de procedimentos burocráticos, que leva algum tempo para adaptação dos setores financeiros e de faturamento dos hospitais. Mas eles foram implantados para melhorar o sistema, e não tivemos aqui reclamações de que estejam prejudicando os pacientes’’, diz Rosângela Libanori, lembrando que o SUS gasta mensalmente cerca de R$ 500 mil com estes procedimentos em Londrina.

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