Os R$ 416 mil arrecadados pelo Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente serão revertidos em benefício das 79 entidades assistenciais de Londrina. O dinheiro arrecadado através da declaração do Imposto de Renda (IR) é destinado ao Fundo ou diretamente às entidades, escolhidas pelo próprio doador. Para ter direito à doação, as entidades precisam apresentar projetos que justifiquem a aplicação do dinheiro e a burocracia, é o maior empecilho para a liberação do dinheiro. Em média, o processo de liberação da verba demora até seis meses.
Na Casa do Caminho, que abriga 170 crianças entre zero e 14 anos, o dinheiro arrecadado com as doações de 2008 foi de R$ 11 mil. A quantia, que será somada a outros R$ 19 mil economizados desde 2006, servirá para a compra de um veículo utilizado para o transporte de três deficientes que vivem no local.
Segundo a diretora da entidade, Domingas Rodrigues Binotti, o processo burocrático para a compra do carro será mais fácil. ''Só estamos dependendo de uma confirmação da prefeitura para saber se poderemos comprar um veículo usado ou se teremos que comprar um novo'', afirmou a diretora.
O dinheiro, de acordo com a diretora, ajuda, mas a burocracia ainda é a maior barreira para as entidades. Além da kombi que precisa ser trocada, a Casa do Caminho tem outros dois projetos prontos para a construção de um muro e para a reforma da quadra esportiva e dos vestiários, que foram interditados por causa da precariedade. ''Temos projetos, mas dependemos da assinatura de engenheiros. É um processo muito burocrático e demorado.''
A preocupação com a burocracia também é ressaltada pelo presidente do Lar Anália Franco, Valdir Piedade. Ele considera que no caso das entidades o processo para a realização de projetos deveria ser mais prático. ''Temos coisas urgentes para fazer e a burocracia acaba complicando.'' A entidade vai receber R$ 2.142 com as doações feitas em 2008.
No Anália Franco, das cinco casas existentes no terreno que abrigam hoje 75 crianças entre zero e 18 anos, duas precisam ser reformadas com urgência. Elas estão com o teto e as paredes comprometidas e o assoalho precisa ser trocado. ''Estamos aguardando a liberação de uma verba do governo estadual, que ainda depende de uma liberação do Tribunal de Contas''. A verba é de R$ 65 mil mas a entidade terá que dar uma contrapartida de R$ 15 mil. ''Se mais pessoas doassem para o Fundo seria mais fácil. Não pesa para ninguém e as entidades que sempre precisam de dinheiro conseguiriam fazer mais pelas crianças.'' Apesar das dificuldades a reforma está prevista para ter início em 15 dias.
Os responsáveis pelos abrigos afirmam que as doações através do Fundo são muito importantes para as entidades. ''Por menor que seja o valor, é importante que as pessoas continuem doando'', afirmam.

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