Burocracia dificulta processo e estimula adoção ilegal de órfãos
ReproduçãoCom o livro Laços de Ternura, Lidia Weber pretende provocar o debate sobre a adoçãoA psicóloga e professora Lidia Weber, autora do livro Laços de Ternura: Pesquisas e Histórias Sobre Adoção, espera contribuir com essa publicação para situar as pessoas interessadas no assunto. Ela trabalha há cerca de 10 anos com o tema, juntamente com suas atividades na Universidade Federal do Paraná e na Diretoria Científica do Projeto Recriar.
Em 1997, ela conduziu uma pesquisa em Curitiba, ouvindo 412 pessoas maiores de 21 anos, investigando as opiniões da população sobre adoção. Os resultados demonstraram que, apesar de 58% dos entrevistados afirmarem que adotariam uma criança, há uma grande parcela da população com dúvidas, preconceitos e informações erradas sobre o tema.
Isso demonstra que temos que avançar muito mais e o livro é uma das maneiras de chamar o assunto ao debate público, diz Lidia Weber.
A mesma pesquisa reflete as dificuldades para se adotar uma criança: nada menos que 68% preferem a adoção ilegal, devido à burocracia. Outro dado que mostra a desinformação da população de uma forma geral é que 40% das pessoas ouvidas acreditam que as crianças adotadas não devem ser informadas sobre esse fato. O diálogo aberto é fundamental em qualquer relação, ainda mais entre pai e filho, alerta a psicóloga.
Um terceiro referencial levantado pelo trabalho culpa os pais pela existência de crianças abandonadas, já que 71% dos pesquisados acham que os pais não souberam educá-los e por isso eles estão na rua ou em orfanatos. A avaliação da psicóloga é que há um pensamento simplista sobre adoção no Brasil, o que é estimulado pela falta de iniciativas do Poder Público em encaminhar as crianças para adoção.
Uma outra pesquisa, também feita por Lidia Weber, demonstra que as crianças adotadas querem saber que não são filhos legítimos, mas isso não representa, de forma nenhuma, uma situação de conflito. As crianças adotadas, de uma maneira geral, encaram o fato de serem filho adotivos com naturalidade, porque encontram na adoção uma maneira de exercer o direito de ter uma família, a quem são imensamente gratos, explica a psicóloga Lidia Weber. (E.B.J.)





