Burocracia deixa criança fora da escola
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segunda-feira, 22 de março de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Iara tem 10 anos. Todos os dias ela vê as crianças passarem em frente a sua casa, no Jardim Santiago I (Zona Oeste de Londrina), a caminho da escola. Um caminho que ela não pode trilhar porque não conseguiu vaga em nenhuma das três escolas da vizinhança.
A menina mudou de Curitiba para Londrina no início do ano para morar com os avós e, apesar desse tipo de transferência ser considerado prioritário, continua na fila de espera. A avó da menina, Carmen Zanelli Missel, 63 anos, conta que a procura por uma vaga começou há dois meses. Sem resposta positiva em nenhuma escola e com o ano letivo já iniciado, ela foi até o Núcleo Regional de Ensino (NRE) e também não obteve solução para o caso. ''Estou esperando um telefonema até agora'', afirmou.
Enquanto aguarda, Iara passa os dias vendo TV. ''Ela chora direto'', diz a avó, que está preocupada com a adaptação da menina e com o contéudo escolar já perdido. Com poucos amigos na cidade e ansiosa pelas aulas, Iara reclama. ''É chato ver todo mundo indo para escola e eu não.''
Os avós, de idade avançada, querem uma escola próxima à residência onde moram para facilitar o acesso. ''Faço tratamento de câncer e meu marido tem marcapasso, então aqui por perto é mais fácil a gente levar e buscar'', argumenta a avó, que pensa em deixar o esposo e ir morar com a filha em Curitiba para cuidar da neta. ''Minha filha trabalha e estuda, por isso trouxe a Iara para cá, pois nós podemos cuidar melhor dela'', afirmou.
O chefe do NRE, Rony dos Santos Alves, disse estranhar o caso. ''Tenho dúvidas se essa senhora realmente procurou o núcleo na data que afirmou. Se isso ocorresse, essa situação já estaria resolvida há tempos'', argumentou. Segundo ele, o órgão fará um levantamento de vagas nas escolas próximas para encaminhar a menina.
A situação de Iara é fora do comum porque, em tese, ela deveria ter preferência em todas as listas de espera por não estar matriculada. Contudo, a regra nem sempre é cumprida. No Colégio Tsuro Oguido, um dos pleiteados, Iara está em 78º lugar na lista de espera por uma vaga na 5 série do ensino fundamental, atrás de dezenas de crianças que já estão estudando em outros colégios da cidade.
A própria diretora da escola, Giane de Souza Silva, espantou-se com o erro, creditado à correria do início das aulas. ''A mãe deve ter vindo, deixado o nome e não voltou a nos contatar. Ela deve ter, com razão, ficado no aguardo do nosso contato, mas ela deveria ter nos procurado novamente'', afirmou a diretora. ''Se soubéssemos dessa situação poderíamos ter dado um jeito'', justificou.
A diretora do Colégio Polivalente, também procurado, Elisabeth Penterich, afirmou que a fila de espera por uma vaga ultrapassa 100 alunos. ''Se a menina está sem estudar, a mãe deveria procurar o núcleo que é quem faz esse encaminhamento'', afirmou.


