Burocracia atrasa construção de aterros
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segunda-feira, 02 de outubro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
Dos 157 aterros sanitários anunciados pelo governo do Estado em programa lançado no ano passado, apenas 24 foram concluídos até agora. Outros 52 projetos estão em construção e 11 em fase de licitação. Os aterros estão com o cronograma um pouco atrasado em função dos problemas burocráticos para licitar uma obra dessa envergadura, diz Enzo Bonetto, diretor de saneamento ambiental da Superintendência de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos do Estado (Suderhsa).
Aliado à demora dos trâmites dos editais, Bonetto alega que a falta de conhecimento técnico nos municípios é outro fator que influencia na hora de colocar o aterro em operação. Mesmo com os problemas, a expectativa da Suderhsa é concluir até o fim deste ano cerca de 70% do programa de construção de aterros sanitários, o que corresponde à conclusão de 109 aterros. Bonetto reconhece que o financiamento do projeto pela Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 22 milhões, não é suficiente.
De dinheiro? É claro que precisaríamos mais, com certeza. Se você avaliar o sistema operacional dos aterros, há necessidade de recursos, diz o diretor da Suderhsa. Bonetto observa que as verbas poderiam ser usadas na manutenção dos sistemas de recolhimento e seleção do lixo reciclável. As taxas cobradas nos impostos municipais não pagam todos os serviços. As prefeituras acabam tirando dinheiro de outras áreas para cobrir a coleta.
Em Curitiba, o programa foi criado há 10 anos. Com a ativação do Aterro da Cachimba, o serviço passou a ser estendido para os municípios da região metropolitana. A quantidade de lixo gerado por dia chega a 2 mil toneladas. O aterro, apontado como modelo, já está com a vida útil saturada. Um novo, em Rio Branco do Sul, está sendo projetado, mas enfrenta resistência dos moradores, que querem uma compensação para o município.
Um dos principais problemas do acúmulo de lixo, comenta Enzo Bonetto, é a quantidade de embalagens produzidas. Existe um desequilíbrio na produção de embalagens. Os fabricantes deveriam pagar impostos para os municípios a cada embalagem produzida. Caso contrário, nosso futuro é se afogar em lixo.
Os municípios que estão com os aterros prontos são: Guaratuba, Consórcio Pontal do Paraná/Matinhos, Jacarezinho, Rolândia, Cafelândia, Cidade Gaúcha, Conselheiro Marinck, Ampére, Astorga, Boa Vista da Aparecida, Colorado, Congoinhas, Corbélia, Diamante do Oeste, Formosa do Oeste, Icaraíma, Iporã, Itaguajé, Itapejara do Oeste, Lobato, Maripá, Santa Helena, Santa Mariana e Vera Cruz do Oeste.


