Agricultores reclamam das condições das estradas nos distritos de Londrina; alguns caminhões demoram até uma hora para percorrer os seis quilômetros que separam Irerê de Paiquerê
Os seis quilômetros que ligam os distritos de Irerê e Paiquerê, zona sul de Londrina, são um transtorno para o motorista porque a pista está tomada por buracos. Os carros, caminhões e ônibus precisam fazer verdadeiros malabarismos, além de andar em velocidade baixíssima para conseguir desviar dos buracos. Um caminhão carregado leva em média uma hora para percorrer a estrada, que é asfaltada. Esse é apenas um exemplo, as estradas de outros distritos rurais, como Maravilha e Lerroville, também se encontram em estado bastante precário.
O motorista Henrique Barbosa, 40 anos, afirma que é melhor andar por uma estrada de terra do que enfrentar o trecho Irerê/Paiquerê. ‘‘Aqui não tem mais condições. Todos os que moram por aqui ou usam esta estrada precisavam fazer uma manifestação para ver se alguém arruma isso aqui.’’
O secretário do Sindicato de Produtores Rurais de Londrina, Vilson Mouro, disse que recebe reclamações sobre as condições precárias das estradas rurais todos os dias. ‘‘Não sei como os agricultores conseguiram escoar a produção. Muitos caminhões voltaram vazios ou levaram só a metade da sua capacidade por causa da condição precária das estradas’’, afirmou. Para ele, é de extrema urgência que a prefeitura tome providências para resolver o problema.
Mouro disse também que os operadores de máquinas não estão preparados para realizar o trabalho nas estradas de terra. ‘‘Eles não têm noção de como limpar um bueiro, fazer uma drenagem correta nas estradas. Acredito que a prefeitura precisa dar um curso básico para que quem for realizar o trabalho entenda do que está fazendo.’’
Mas os produtores não são os únicos a ter problemas com as estradas rurais. O transporte escolar também está sendo feito com bastante dificuldade, principalmente após as chuvas. A motorista Helenita Oliveira Fernandes, 40 anos, trafega pelas estradas rurais de Londrina quatro vezes ao dia fazendo o transporte de crianças que moram na zona rural para a escola do Patrimônio Selva. ‘‘As estradas estão péssimas, em muitos lugares não tem condições de passar.’’
Na quinta-feira ela atravessou pela primeira vez na semana um trecho da estrada onde há uma valeta e o perigo de a Kombi ficar atolada é grande. Helenita parava a Kombi próximo ao um pé de laranja na beira da estrada porque não tinha como prosseguir. ‘‘Os pais tiveram que trazer os filhos de trator até um certo ponto onde a gente podia ir. Estava muito difícil.’’ Helenita começou a trabalhar como motorista do transporte escolar este ano e é responsável por 19 crianças todos os dias.

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