Faxinal - A natureza privilegiada que contemplou o município de Faxinal (Norte) com 48 cachoeiras cercadas por paisagens exuberantes impôs também dificuldades a uma parcela dos moradores da região. Por causa do relevo acidentado e do índice de chuvas acima do normal registrado este ano, algumas estradas rurais estão intransitáveis. Uma das mais críticas é a Bufadeira da Fonte, que acumula buracos e lamaçais em uma extensão de pouco mais de 20 quilômetros.
Além de dificultar o acesso, a má conservação também danifica os carros da população rural que utiliza a via, causando prejuízos. Acostumado a atender moradores e turistas cujos veículos quebram na estrada, o mecânico José Francisco Sales adaptou rodas de picape em uma variant, retirou a lataria e construiu uma ''gaiola'' para transitar com mais facilidade.
''Antes, quando usava um fusca, muitas vezes ia socorrer os clientes e acabava ficando no meio do caminho porque o carro quebrava'', contou. Segundo ele, o veículo também permite fazer o trajeto em metade do tempo. ''Um carro normal leva uma hora para andar vinte quilômetros. Com a gaiola, chego em meia hora'', comparou.
Acostumados a solicitarem os serviços de Francisco para resgatar o carro da família pela estrada, os trabalhadores rurais Ivone Barbosa de Lima e Antônio de Souza Campos moram a 23 quilômetros da zona urbana e consideram-se ''ilhados'' pela falta de acesso. ''Quando chove, é impossível chegar na cidade. A gente torce para que não aconteça nenhuma emergência'', contaram.
O filho deles, David, 15, sai de casa às 11 horas da manhã, todos os dias, para conseguir chegar na escola às 13 horas. ''A Kombi que transporta os alunos vive quebrando no caminho. Também acontece de furar o pneu e o motorista ter de trocar. Não é fácil'', avaliou Ivone.
A família do trabalhador rural Mauro de Matos mora no Distrito de Pinhalzinho e acaba recorrendo a serviços do vizinho município de Ortigueira por causa do difícil acesso à Faxinal. Separados da estrada por um rio, eles só conseguem chegar à via utilizando cavalos. ''Se o rio estiver cheio, a gente não tem como chegar a lugar nenhum'', lamentou.
Pai de três crianças em idade escolar, ele contou que os filhos também enfrentam dificuldades para chegar ao colégio, fazendo a cavalo o percurso de quatro quilômetros até o ponto do ônibus. ''Quando chove, eles ficam sem poder ir à escola. O garoto de 13 anos reprovou o ano porque faltou demais.''
Responsável por transportar 13 crianças, um motorista de transporte escolar que não quis se identificar revelou que o carro vive quebrando na estrada. ''Quando não tem jeito, a gente faz uma parte do caminho a pé'', disse ele, que enfrenta as dificuldades para garantir que os estudantes compareçam à aula. ''Muitas vezes a gente anda com a roda acorrentada para não atolar. Essas crianças se esforçam muito para frequentar a escola.''
A reportagem da FOLHA entrou em contato com a prefeitura de Faxinal para saber sobre a manutenção da estrada. O responsável pela conservação das vias não foi localizado e o prefeito estava viajando e não retornou os telefonemas.

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