A fragilidade do asfalto em grande parte das ruas de Londrina ficou exposta com a greve dos servidores municipais e as chuvas fortes que caíram nos últimos dias. Esses dois fatores podem ter colaborado para agravar o problema, mas não foram sua causa.
O grande número de operações tapa-buracos executadas no município, interrompidas há 46 dias por causa da greve, já mostra que em muitas vias públicas o asfalto está deteriorado. Além disso, muitas vezes os locais onde são feitas essas operações resistem poucos dias, colocando em dúvida a qualidade do serviço e do material utilizado.
''Um tapa-buraco pode dar mais uns quatro anos de vida útil ao trecho que sofreu a intervenção. Mas isso depende de como é feito'', observa o professor José Cavalcanti Moura, que leciona a disciplina de Estradas na Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Com experiência de 28 anos como engenheiro do Departamento de Estradas e Rodagem (DER), onde se aposentou no início deste ano, Moura explica que o uso de massa quente nas operações tapa-buracos confere mais durabilidade ao asfalto. ''Se você usa um pré-misturado frio, ficam muitos vazios na camada. Quando chove a água entra nesses espaços e, se passa um carro, ocorre pressão e o asfalto sobe'', esclarece, frisando que o sistema quente é mais caro.
Já com o recapeamento, afirma o professor, a vida útil do trecho passa a ser a mesma de quando é feita a pavimentação: 10 anos, em média. Esta seria a garantia a ser oferecida por quem faz o asfalto. ''Entretanto, o asfalto pode entrar em colapso antes desse prazo por três fatores: mau projeto, mau controle executivo (em desobediência às normas) e tráfego além do previsto'', assinala.
Em alguns bairros da cidade, fica nítida a diferença entre trechos de asfalto novo e antigo. E ao contrário do que se esperaria, o antigo é melhor. Um exemplo está na Rua Lydia Monteiro da Silva (Zona Leste), dividida entre o Jardim Santa Mônica, que tem mais de 30 anos, e o Jardim Itália, loteamento mais recente. A primeira quase não oferece falhas. A outra já está cheia de buracos e desníveis.
''Isso aí mostra que os buracos não tem nada a ver com a greve. O problema é a qualidade do serviço, acho que usaram pouco material'', comenta o aposentado Atílio Dassie, 68 anos, residente na ''divisa'' entre os dois bairros. A mesma cena se repete em várias ruas paralelas.

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