Buraco no Neman Sahyun completa quatro meses sem solução
Moradores reclamam do perigo; secretário informa que obra de reconstrução já está em processo de licitação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de junho de 2019
Moradores reclamam do perigo; secretário informa que obra de reconstrução já está em processo de licitação
Vitor Ogawa - Grupo Folha 

Cratera tem cerca de cinco metros de profundidade: passagem precária delimitada por barreiras de concreto
Quatro meses após um buraco enorme surgir na rua Edmundo Gonçalves, no jardim Neman Sahyun (zona sul de Londrina), a população do bairro ainda espera uma solução. A fenda aberta na pista pela erosão transformou a via, que possui sentido duplo, em uma passagem precária delimitada por barreiras de concreto no entorno da cratera. Atualmente, ela só permite a circulação de um veículo de passeio por vez. Ônibus e caminhões estão impedidos de passar, embora não haja nenhuma sinalização que avise sobre essa restrição.
O auxiliar de serviços gerais Valmir Lovato Baptista mora nas imediações e sofre com o desvio do itinerário do ônibus, já que o ponto do coletivo foi deslocado para centenas de metros do local. “Aos domingos a gente precisa pegar o ônibus lá em cima e complica para mim, principalmente nos dias de chuva”, aponta. “Eu uso carro também, mas à noite é perigoso, porque há motoristas que não sabem da cratera e podem bater na gente”, aponta.
Mesmo com o fluxo prejudicado, o local ainda permite a circulação de veículos nos dois sentidos, o que faz com que o risco de colisão frontal aumente. Embora as barreiras de concreto impeçam os veículos de cair na cavidade, pequenos animais continuam vítimas dessa situação. Dois cachorros chegaram a despencar no local, o que indica que o risco também é iminente para crianças desacompanhadas ou pessoas com baixa cognição. “Caíram dois cachorros ali. Quando isso aconteceu, só colocaram as barreiras em volta, mas não resolveram o problema. Eu tenho medo que caiam pessoas. Isso é um descaso. Além disso, se começar a chover muito, eu tenho medo que esse buraco chegue até a minha casa”, afirma a secretária Marilda Carias Matias, que mora em frente ao rasgo no asfalto, que possui mais de cinco metros de profundidade.
O pintor de automóveis Waldomiro Pereira da Silva também mora próximo ao local e aponta que as chuvas podem aumentar a erosão e comprometer a parte de baixo da pista, um talude que ainda sustenta parte da via. “Se aquilo ruir pode dificultar e encarecer ainda mais o conserto. Se tivessem tapado quando o buraco estava menor seria mais fácil”, declara.
A fenda foi provocada pelo rompimento de um poço de queda, em que há a interligação de tubulações da rede de galeria pluviais. O diâmetro dessa abertura aumentou com o passar dos meses e obrigou a movimentação das barreiras de concreto, conhecidas como New Jersey, estreitando ainda mais a passagem dos carros. Embora haja sinalizações horizontais que avisam os motoristas para trafegar devagar e com cuidado, há motoristas desavisados que ainda transitam em velocidade acima da recomendada para um trecho que se tornou perigoso com as mudanças.
O jovem aprendiz Vinícius Cazarotti Abe teme que se a erosão aumentar pode bloquear o acesso para a rua Alexandre Sahyun, que é o único acesso para a sua casa. “Eu moro aqui embaixo. Se aumentarem ainda mais o bloqueio vai ficar todo mundo ilhado. Não tem outra via para sair de lá."
A reportagem procurou a assessoria da CMTU, que até o fechamento da edição não havia se pronunciado sobre os problemas de sinalização e manutenção do fluxo da via nos dois sentidos.
O secretário municipal de Obras, João Verçosa, afirma que há um processo licitatório em curso e que até a conclusão dele não há como precisar o prazo para a conclusão das obras de reparo. Ele estima que o valor para o conserto do trecho deva ficar em torno de R$ 355 mil.
PONTE INTERDITADA
Outro local que precisa reparos é a ponte na avenida Soiti Taruma, no jardim Olímpico (zona oeste). Trata-se de um problema mais antigo ainda, já que parte da ponte foi abaixo em dezembro de 2016. O trânsito no local continua perigoso, pois ali também circulam veículos em pista única - o volume de água pluvial daquele ano inundou o ribeirão Esperança e parte da
ponte no sentido bairro-centro não suportou a força das águas e culminou na erosão que destruiu a parte lateral da via.
Verçosa afirmou que já foi emitida a ordem de serviço para reconstrução para a empresa Kapa Construções Eireli, de Maringá, no dia 28 de maio. “Serão oito meses de obra, a partir da ordem de serviço”, aponta. O total da reconstrução da ponte foi definido em R$ 2.985.000,00.


