Buraco no asfalto provoca acidente
Paulo Ubiratan
Um buraco aberto por uma empreiteira contratada pela Sanepar acabou provocando um acidente e o internamento do operário Genkiti Nakamoto, 65 anos, e o seu filho Natalino Nakamoto, 30 anos. Eles estavam em uma motocicleta, que acabou caindo no buraco escavado na Rua das Maritacas, zona leste de Londrina.
Natalino sofreu ruptura na uretra e submeteu-se a uma cirurgia no Hospital Evangélico (HE) e não corre risco de vida. O pai sofreu escoriações generalizadas pelo corpo, foi atendido e liberado pelo hospital. A família Nakamoto registrou queixa contra a Sanepar na 10ª Subdivisão Policial (SDP) e promete acionar judicialmente a empresa.
O acidente ocorreu por volta das 5 horas de ontem, quando ambos se dirigiam para o trabalho na empresa Dixie Toga, na região dos Cinco Conjuntos, zona norte. Pai e filho residem na mesma casa na Rua da Maritacas, a aproxidamente cinco quilômetros de onde ocorreu o acidente. Natalino dirigia a motocicleta ML-125 e seu pai ia na garupa. O veículo sofreu danos de grande monta.
Ontem à tarde a esposa de Genkiti, Senira Ferreira Nakamoto, disse à Folha que ele estava muito nervoso e não queria falar com ninguém. O meu marido foi tomado de tristeza e está encolhido no canto da sala desde que ocorreu o acidente. Ele não se conforma de ver o filho machucado e quase ter morrido. Nós vamos acionar a Sanepar, afirmou a esposa.
Senira disse que o marido e o filho contaram que não existia nenhuma sinalização no local onde foi aberto o buraco. Ela disse estranhar que logo após o acidente, a Sanepar foi rapidamente fechar o buraco.
O engenheiro Mário Sirocce, da unidade de manutenção da Sanepar, informou que a vala estava aberta porque não foi possível fechá-la no dia anterior. Mas já pela manhã foi providenciado o seu aterramento.
Atualmente, 50% dos nossos serviços de manutenção são terceirizados. Os trabalhos de manutenção na Rua das Maritacas estavam sendo feitos pela empresa Engrenagem Construções Empreendimentos Ltda. Temos um contrato com estas empreiteiras e umas das claúsulas obriga a indenizar as possíveis vítimas de acidentes na obras, afirmou Sirocce. Ele se prontificou a intermediar a negociação entre a família Nakamoto e a empreiteira Engrenagem, para possível pagamento da indenização.
Senira Nakamoto disse que não existe preço para a vida humana. Este descaso da Sanepar contra a segurança da população não pode continuar impune. Além do dinheiro da indenização ela deve ser cobrada criminalmente. Até quando teremos que sofrer com esta enorme quantidade de buracos na cidade sem sinalização e referencial de suas obras inacabadas, desabafou Senira Nakamoto.
Na manhã de ontem mais de 60 moradores da Rua das Maritacas mostravam-se revoltados com a Sanepar e chegaram a pensar em fazer uma manifestação.





