A professora Lidia Correia mostra que a escola já foi alvo de tiros dos capangas, que teriam roubado merenda e estragado materiais escolaresOs búfalos que amendrontam Rasgadinho destruíram as plantações dos moradores e impedem o acesso de 14 alunos à escola municipal. Por três meses em 1997 e um mês em 1998 a professora Lidia Santos Correia, 25 anos, não pôde lecionar, simplesmente porque os alunos não vinham à escola com medo dos animais.
Não bastasse isso, a comunidade acusa os capangas de Cavalcanti de fazeram da escola pública um alvo. Deram tiros nos vidros das janelas e nas paredes, roubaram a merenda e estragaram material escolar. ‘‘Ainda bem que a professora não morava mais lᒒ, diz a dona-de-casa Margarida, sogra da professora. Antes de se casar, Lidia morou três meses na escola.
‘‘Existem alunos que já deviam ter terminado o primeiro grau, mas ainda são analfabetos’’, conta a professora. Ela afirma que foram feitas queixas à delegacia e à prefeitura do município e, como em outros casos, nenhuma medida foi tomada. ‘‘As práticas de Cavalcanti, que é um grileiro típico, são tradicionais e perpetuam a miséria econômica e cultural’’, acusa o advogado Darci Frigo, da CPT.
Os estragos dos búfalos também atingiram em cheio as plantações dos agricultores. Um dos mais prejudicados, Francisco Branco de Moraes, 58 anos, está desestimulado com a agricultura. ‘‘O que a gente tinha feito de plantio, o bicho comeu’’, conta. Moraes, que plantava banana, aipim, feijão, milho, moranga e palmito, não fez uma única roça neste ano. ‘‘Não tem como plantar. Os búfalos entram pela roça e destroem tudo’’.
O prejuízo com a roça é pouco para Moraes quando ele lembra que quase perdeu a mulher. Em dezembro de 1995, uma manada de búfalos se assustou e partiu para cima de Angélica Jades de Amorim, 38 anos. Pisoteada pelos animais, Angélica teve ferimentos graves. Apesar disso, foi sozinha para o tratamento em Guaratuba porque Moraes temia que os capangas de Cavalcanti colocassem fogo na casa.

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