Um papel de bala, uma bituca de cigarro, folhas de árvores. Pequenos lixos, aparentemente inofensivos, mas que podem causar grande estrago se jogados em qualquer lugar, especialmente nos bueiros. Imagine então, pedaços de pedras, ripas de madeira, lonas de caminhão sendo jogados na tubulação. Isso mesmo, até lonas são encontradas nas galerias, durante as limpezas de bueiros.
Pela cidade, são centenas de bueiros entupidos, causando transtorno para os moradores, principalmente em períodos de chuva. Num breve passeio, é possível enumerar vários deles precisando de manutenção. A reportagem da FOLHA acompanhou o serviço de funcionários da prefeitura, na manhã de ontem, na Rua Mário Campos, no Jardim Parigot 2 (Zona Norte).
A equipe da prefeitura teve bastante trabalho para retirar pedaços de pedras que entupiam a tubulação. Os moradores reclamam que os pedidos para a limpeza foram feitos há mais de ano. ''Sempre tivemos esse problema, fizemos várias reclamações e pedidos por escrito e só agora vieram fazer o serviço. Quando chove, a rua fica alagada, com cheiro ruim'', afirmou Valdinei de Oliveira, que mora no Parigot 2 há dez anos.
A dona de casa Elizabete dos Santos, que reside no bairro há 30 anos, garantiu que a maioria dos moradores é cuidadosa. ''As pessoas sempre varrem a frente das casas com cuidado para não deixar o lixo ir para o bueiro. Não sei o que acontece. Encontrar tanta pedra lá dentro, parece que foi colocado ali.''
As pedras, segundo o diretor da Secretaria de Obras e Viação, Celso Alves da Silva, são comuns nos bueiros. ''Encontramos de tudo. Pedras, madeira, lonas, todo tipo de sujeira que não deveria estar ali'', contou. Situações como esta acabam atrasando o serviço, que em vez de durar algumas horas pode levar até um dia e meio para ser concluído. ''Nestes casos somos obrigados a abrir buracos em ruas para conseguir retirar o entulho que está entupindo a rede. É um trabalho bem mais demorado.''
A dificuldade em fazer a limpeza, de acordo com Silva, só é vista depois que o bueiro é aberto. ''Só aí você percebe a extensão do problema'', acrescentou. Um dos bairros que mais registra ocorrência é o Jardim Bandeirantes (Zona Oeste). O último bueiro desentupido no local precisou que três buracos fossem abertos na rua.
Os pedidos para desentupimento de bueiros são registrados pela Secretaria de Obras, que tem um cronograma para atender aos moradores. São em média três a quatro pedidos diários em período de estiagem. Quando chove o número de pedidos aumenta, entre oito e dez solicitações por dia.
A prefeitura tem apenas um veículo desobstruidor de galeria, o caminhão limpa-bueiro, e outros dois caminhões-pipa que acompanham o trabalho fazendo o abastecimento da água. No total, dez funcionários trabalham nas ruas, fazendo a limpeza dos bueiros.
Uma preocupação, segundo Silva, é a falta de conscientização dos moradores, que acabam jogando lixo no bueiro. Em muitos casos, o mesmo bueiro tem que ser desobstruído várias vezes pela equipe. ''Infelizmente muita gente ainda faz isso. Varre o lixo para dentro do bueiro.''

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