Bueiros entupidos são transtorno constante
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quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Em maio, a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) regulamentou decreto determinando punições para quem joga lixo nas ruas. O problema é que ainda não há punições aplicadas e a conscientização dos moradores de Londrina tem deixado a desejar. O resultado são ruas emporcalhadas e galerias pluviais entupidas, com grande volume de lixo que poderia ser destinado à reciclagem, como garrafas PET e sacolas plásticas, latas de cerveja e refrigerante e embalagens de doces e salgados. Também é possível encontrar muito entulho de construção civil espalhado. E esse material tem vai parar nos bueiros.
O trabalho de limpeza do sistema de drenagem urbana da cidade é responsabilidade da administração municipal. A reportagem acompanhou ontem o trabalho de operários responsáveis pelo desentupimento e limpeza de bueiros, bocas de lobo, bocas de leão, sumidouros e sarjetas. E o quadro é desalentador. Garrafas PET, sacolas plásticas, embalagens de doces e salgados, latas de refrigerante e de cerveja, pedaços de madeira, de isopor, galhos de árvore, folhagens, pedaços de tijolo, areia, pedras, terra e peças automotivas são alguns dos objetos encontrados na galeria pluvial da Avenida Luigi Amorese, no Jardim Leonor (zona oeste de Londrina).
Segundo o proprietário de uma revenda de veículos que fica na via, Antônio Cezar dos Santos, o local frequentemente sofre com alagamentos. A água chega a ficar da altura do meio-fio e invadir estabelecimentos. "Existe um pessoal que trabalha com reciclagem no Jardim Leste-Oeste e que toda vez que chove o material acaba entupindo as galerias pluviais. Os carros que passam por aqui na chuva acabam tendo problemas, já que a água acaba afetando o motor e a parte elétrica do carro", reclamou. A costureira Iraci Adriano Souza, de 77 anos, também moradora no Jardim Leonor, conta que sempre precisa passar pelo local para ir ao supermercado, mas revela que em dias de chuva precisa buscar caminhos alternativos, bem mais longos, para chegar ao destino. "Quando empoça fica quase o dia todo desse jeito", criticou.
A administração municipal enfrenta dificuldades para dar conta da demanda. Integrante da equipe responsável pelo desentupimento de galerias pluviais e bocas de lobo, Waldomiro Pereira Meireles comenda que hoje só dois caminhões são usados no trabalho de desentupimento de bocas de lobo. E um deles está quebrado. A Secretaria de Obras afirma que não existe um número seguro de quantas bocas de lobo existem na cidade. Em entrevistas anteriores, o titular da pasta, Walmir Matos, estimou em 100 mil o número de bueiros existentes na cidade e 30% estariam entupidos. A média diária é de de 15 limpezas de galerias pluviais, caixas de contenção, bocas de lobo, bocas de leão ou bueiros. O trabalho é feito com um caminhão que conta com um sistema de mangueira de alta pressão, combinado com uma tubulação de sucção alimentada por turbina de alta potência. O veículo lança um jato dágua que amolece a terra endurecida e o tubo de sucção funciona como um aspirador gigante, que suga o entulho e a água.
Antes da chegada do caminhão de hidrojateamento e hidrossucção, a equipe realizava apenas cinco limpezas diárias, utilizando uma pá vanga (quadrada) e um picão (espécie de talhadeira de cabo longo). "Com o caminhão melhorou muito. Antes não dava produtividade", destacou. Além de retirar lixo e entulho das galerias e bocas de lobo, a equipe limpa as sarjetas, que muitas vezes estão extremamente sujas, cheias de terra, areia e outros resíduos.
Meireles critica as pessoas que insistem em jogar lixo e entulho nas calçadas. "As pessoas jogam papel de bala, latas de refrigerantes e outras coisas pequenas achando que isso não vai afetar a rede de drenagem, mas são centenas de pessoas que fazem isso todos os dias e isso vai acumulando e se misturando com o material de construção e terra movimentada pelas obras que são levados pelas chuvas. Às vezes toda a galeria mestre está entupida e são mais de 100 metros que a gente precisa desentupir", relatou. Ele aponta que a galeria da Avenida Luigi Amorese já havia sido limpa há oito meses, quando o intervalo normal, se ninguém jogasse lixo ou entulho na via, seria de dois anos. Em média, cada equipe consegue desobstruir uma boca de lobo em 20 minutos.
Quem leva a pior são funcionários como Eliseu de Oliveira, de 56 anos, que em muitos casos precisa entrar nas galerias para tirar o material. "Às vezes a mangueira do caminhão fica presa no meio da galeria e eu tenho de ir lá dentro para tirar o lixo que está obstruindo", apontou. A capa plástica que utiliza acaba não tendo muita serventia e ele fica sujo dos pés à cabeça. A cada serviço que realiza, sai todo enlameado e a roupa fica imprestável. "O mais difícil são as caixas de galerias antigas, que são muito estreitas e apertadas, mas não tem jeito. Tenho que abraçar o serviço e fazer", afirmou.
De acordo com o gerente serviços urbanos Flávio Vendramini, a cada mês são retirados 60 metros cúbicos de material das galerias pluviais e de caixas de captação, além de resíduos das sarjetas e de material que fica retido nas grelhas das boca de lobo. "São três caminhões por semana com cinco metros cúbicos cada que são encaminhados à Central de Tratamento de Resíduos (CTR)", afirmou.


