Milton DóriaPrevisãoLucilene Delnegri: ‘Eu avisei à Secretaria que estava ficando complicado. Agora inundou mesmo’


As constantes chuvas que têm caído em Londrina provocou aumento nos alagamentos causados por entupimentos de bueiros e galerias públicas em toda a Cidade. Anteontem à noite, a rua Professor Joaquim de Matos Barreto, no Jardim Maringá (zona oeste), ficou tomada por barro e água. Em outro trecho, na mesma rua, é comum o alagamento próximo à esquina com a avenida Higienópolis. No Conjunto Ernani Moura Lima (zona leste), o entupimento de um bueiro causou a inundação da casa de Lucilene Stefane Delnegri.
Chegam todos os dias à Secretaria de Obras da Prefeitura uma média de 10 queixas de bueiros entupidos. Segundo o diretor do departamento de Obras, Fernando Farah, a equipe tem condições de resolver dois ou três casos por dia. Ele explica que metade das reclamações é de entupimento. A outra metade é mais complicada e requer um trabalho mais demorado.
Algumas soluções adotadas pela Secretaria são paliativas. Para tornar mais ágil o atendimento à população, a Secretaria estuda a possibilidade de contratar serviços de uma empresa com caminhão para desentupir galeria, diz Farah. Outra solução foi apresentada pela Secretaria ao prefeito: estender para período integral o horário de trabalho das equipes que fazem esse serviço, durante o período de chuvas. Segundo Farah, são duas equipes de 14 pessoas no total.
No Conjunto Ernani Moura Lima, Lucilene mora na rua José Romeiro Merllos, perpendicular à rua Hélio Guerino, que tem uma boca de lobo entupida. Com a forte chuva que caiu no início da noite de anteontem, sua casa foi alagada. Grávida de oito meses e com dois filhos pequenos, Lucilene precisou erguer móveis e objetos para não serem estragados pela água. Ela e as crianças passaram a noite na casa de sua mãe. Ontem de manhã, Lucilene conseguiu limpar a casa.
Ela conta que há cerca de 15 dias tem ligado quase diariamente à Secretaria de Obras pedindo uma solução. ‘‘Tinha dias em que a água chegava na porta de casa. Eu avisei que estava ficando complicado. Agora inundou mesmo’’, diz. Ela mora há quatro anos no local e foi a primeira vez que houve alagamento. Fernando Farah afirma que vai dar prioridade a esse caso. ‘‘São muitos os chamados. Quando é boca de lobo entupida, procuramos atender no mesmo dia ou no máximo no dia seguinte. Vou ver o que houve com essa reclamação’’. Ele explica que, quando a equipe chega ao local e o caso é mais complicado, é enviado um engenheiro para analisar a situação.
Milton DóriaA mesma cenaRua Joaquim de Matos Barreto: sempre que chove a via fica tomada pelo barro e pela água


Na rua Professor Joaquim de Matos Barreto, que margeia o Lago Igapó 2, no Jardim Maringá, o problema é antigo e requer uma solução técnica, que será estudada. Ali, existe uma galeria que funciona em regime ‘‘afogado’’ e despeja a água no canal de escoamento que desemboca no Lago Igapó 2. Com as chuvas fortes, a galeria não consegue dar vazão ao grande volume de água, que alaga a rua.
A Secretaria vai adotar medidas paliativas para resolver o problema de imediato, como remover a tubulação e o pequeno aterro sobre o canal; e abrir o meio-fio e fazer um pequeno escoamento até o canal para ver se impede a elevação do nível da água que acaba entrando nas casas.
Próximo à esquina da avenida Higienópolis, a empregada doméstica Benedita de Andrade Aparecido conta que trabalha há sete anos numa casa na rua Joaquim Barreto, que é sempre alagada em dias de chuva forte. ‘‘Às vezes preciso dar a volta pelo quarteirão de cima para pegar o ônibus porque a chuva toma conta da rua e da calçada’’.
Nesse caso, a solução apontada pela Secretaria é a de construir uma canaleta na calçada para a água escoar diretamentoe até o lago. ‘‘Aquela parte baixa recebe o fluxo de água das regiões mais altas da Cidade, que têm tubulações mais antigas. Só captação por boca de lobo não dá conta de tanta água’’, diz Farah.

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