A Igreja Budista Honganji de Londrina comemorou 50 anos no último domingo, em uma grande festa com participação de mais de 600 pessoas, entre adeptos do culto, autoridades e religiosos de outras regiões. Situado entre as mais antigos do País, o templo foi fundado em 1950, graças à contribuição de 400 famílias japonesas estabelecidas na cidade.
Durante todos estes anos, a população de Londrina aumentou e a colônia japonesa acompanhou o crescimento demográfico. Atualmente, porém, apenas 200 famílias frequentam o templo rotineiramente, indicando que os descendentes não se interessam pela religião dos antepassados.
O senhor Masatoshi Doi, 77 anos, presidente da Igreja, acompanhou a trajetória do budismo em Londrina desde o início. Seu pai, Masao Doi, foi o fundador do templo, ao lado de outras 19 pessoas. ‘‘Na época da construção, as doações vieram de toda região’’, recorda-se o filho.
Hoje, ele conta que a maioria dos frequentadores é idosa. ‘‘A frequência tem diminuído porque os idosos morrem, os jovens não se interessam e muitas famílias estão indo para o Japão’’, disse.
Outro indicativo da perda do interesse pela religião foi o fechamento da Escola de Japonês, agregada ao templo, fundada em 1978. ‘‘No início, tínhamos mais de 300 alunos. Quando fechou, não passavam de 30. Os jovens preferem estudar inglês’’, comentou.
O reverendo Nakayama, responsável pela celebração dos cultos há três anos, acrescenta que muitos budistas foram obrigados a se converter ao catolicismo para serem aceitos pela comunidade brasileira. ‘‘Antigamente, as crianças que não eram católicas não podiam frequentar a escola’’, relatou.
Apesar do quadro descrito, eles não se preocupam. ‘‘Os jovens não se interessam porque não precisam. Quando ficarem mais velhos, sentirão necessidade’’, afirmou o reverendo.

mockup