Bruno, 5 anos, é disputado por famílias
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quarta-feira, 25 de junho de 1997
Lucília Okamura 
Londrina
Mário CesarExpectativaRegina, Bruno e Edson: menino de 5 anos, segundo a família, sempre desconversa quando o assunto é voltar para o pai biológicoUm processo de adoção que se arrasta desde 1995 pode chegar ao final nos próximos dias e definir o futuro de Bruno, de 5 anos. A enfermeira Célia Regina Gil está desde 1995 tentando na Justiça adotar Bruno, que mora com a sua família há dois anos e meio. O pai biológico do menino também luta para ficar com ele, alegando que nunca autorizou a adoção.
A história começou em 1995, segundo a enfermeira, quando foi até a Casa do Caminho (instituição que cuida de menores carentes) e conheceu Bruno. Ela afirma que o menino, então com 2 anos e meio, estava na Casa desde que nasceu, praticamente abandonado pelos pais. Segundo Regina Gil, Bruno passou o final de semana com sua família. Todo mundo se encantou com ele, observa a enfermeira, que é casada com o médico Edson Romualdo dos Santos, e tem dois filhos, Júlia e Thiago.
Em seguida, Regina Gil conta que conseguiu a guarda para ficar com a criança durante suas férias (30 dias) e depois resolveu entrar na Justiça com a ação de adoção. Ele falava pouco e brincava sozinho no início, já que era uma criança institucionalizada, afirma. Segundo a enfermeira, a mãe biológica, Cleide Carla da Silva, não tinha paradeiro fixo e não visitava a criança. Ela até abriu mão da criança para o pai, relata.
O principal empecilho para a adoção de Bruno é que seu pai biológico, o ajudante geral Rosalvo José da Silva, quer a criança para ele. Ele é o pai biológico, mas é um desconhecido para o Bruno, afirma Regina Gil. Segundo ela, o pai não chegou a conhecer a criança. Rosalvo da Silva mora em Sarandi com os pais.
Durante o tempo em que o processo corre na Justiça, Bruno se adaptou à família da enfermeira. Ele é muito inteligente e bastante agitado, observa. Bruno chama o médico e a enfermeira de pai e mãe e, segundo Regina Gil, se considera filho biológico. Eu expliquei sobre a gravidez e disse que ele é o filho do coração, mas ele ficou bravo. Ele afirma que eu tive três barrigas, um para cada filho.
A enfermeira afirma que o principal prejudicado nessa história é o garoto, que se tornou objeto de disputa judicial. Ele já se adaptou à nossa família, e está bastante tranquilo. Eu não trabalho com a hipótese de ele sair daqui, garante Regina.
Apesar dessa declaração, a enfermeira confessa que pode perder a guarda de Bruno para o pai biológico. Na sua opinião, a Justiça deveria se sensibilizar e avaliar a situação da criança. Ela acredita que a ação já está na fase final e que isso tem sido motivo de bastante insegurança para sua família. A enfermeira diz que tentou conversar com a criança sobre a situação, na tentativa de prepará-lo. Mas ele desconversa, observa.
A coordenadora da Casa do Caminho, Tânia Silveira, confirma a versão de Regina Gil. Segundo ela, Bruno nasceu na instituição. Ela (mãe de Bruno) vinha, ficava um pouco e saía. Ela passava até cinco meses sem aparecer, relata. Ela garante ainda que o pai biológico viu a criança pela primeira vez em janeiro de 1995.
Tânia Silveira diz torcer para que Bruno fique com a família da enfermeira. A lei do amor deveria prevalecer na Justiça, afirma, lembrando que a criança é bem tratada por Regina Gil.
A promotora da Vara da Infância e Juventude, Solange Novaes da Silva Vicentin, afirma que o processo está em fase final e que seu parecer deve sair em breve. Ela ressalta que não pode comentar ou dar detalhes sobre o caso, mas observa que qualquer ação de adoção deve possuir os seguintes requisitos: ou os pais devem consentir expressamente a adoção ou ter destituído previamente o pátrio poder.


