Bromélias invadem fios da Copel
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Olhando de longe, o estranho emaranhado que toma conta dos fios de alta tensão da Companhia Paranaense de Energia (Copel) lembra ninhos. Seria mais uma obra das numerosas pombinhas londrinenses?
Dessa vez não. São bromélias, de gênero semelhante àquelas encontradas nas floriculturas, mas com um aspecto mais acinzentado. Segundo o biólogo Henrique Rocha, proprietário de um viveiro de mudas nativas, trata-se de flores epífitas, que se apóiam em outras plantas mas sem retirar nutrientes das mesmas.
Os exemplares que a FOLHA registrou na Avenida Harry Prochet (Zona Sul de Londrina) - identificadas por Rocha como sendo da família Bromeliaceae, gênero Tillandsia - acabaram encontrando nos fios de energia elétrica um novo suporte, semelhante aos galhos das árvores.
''Não são parasitas, como muitos pensam. As epífitas costumam se apoiar em troncos ou galhos, mas não roubam o alimento da outra planta. Elas podem captar nutrientes da própria casca da árvore ou da poeira que vai se acumulando nela, assim como tiram nitrogênio do ar'', explica o botânico, citando que as orquídeas também são epífitas, embora nunca sejam vistas em fios de alta tensão.
Já as bromélias são bastante comuns nas redes de energia elétrica, de acordo com Rocha. Ele diz que o mais provável é que elas cheguem nos fios dispersadas pelo vento, já que suas sementes são microscópicas. ''Uma vez lá, basta um indivíduo florindo e frutificando para que elas se multipliquem'', destaca.
Como nos fios elas não encontram nenhum predador - exceto, talvez, pelos técnicos da companhia de energia - a reprodução pode ser numerosa. ''Na mata você não vê tanta abundância num só lugar'', constata. O biólogo pondera, contudo, que não é possível inferir que a aglomeração de bromélias nos fios seja sinal de um desequilíbrio ambiental. ''Elas estão apenas ocupando uma brecha, um local ao qual se adaptaram bem. No Parque do Ingá, em Maringá, há bromélias em todo o alambrado que cerca o lugar.''
Segundo a assessoria de imprensa da Copel, em todo o Estado a companhia tem registros de bromélias e líquens depositados na fiação elétrica, que não afetam o desempenho da rede. Embora nunca tenham provocado problemas de desligamento, de acordo com a assessoria, as plantas são retiradas periodicamente por razões estéticas.
Para Rocha, um problema que a presença das bromélias nos fios poderia trazer é com relação ao excesso de peso. ''Se tiver 50 indivíduos num galho de árvore, por exemplo, ele pode cair numa eventual chuva porque as plantas acumulam água e ficam mais pesadas. Nos fios, isso vai depender da resistência do material'', assinala.


