Um ano após a morte de duas crianças, de 5 e 8 anos, causada por um acidente com brinquedos infláveis durante festa da empresa Siemens, em Curitiba, ainda não há uma normatização estabelecida, tampouco uma explicação sobre como deve ser a fiscalização nestas prestadoras de serviços.
Em 16 de setembro do ano passado, 200 pessoas participaram do evento quando aconteceu o acidente, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). A contratada Casquinha Eventos foi apontada pela polícia como única responsável pelas mortes das crianças e o proprietário e o gerente respondem por homicídio culposo (sem intenção de matar) e lesão corporal culposa. O delegado Carlos Alberto Castanheiro, na época, responsável pela investigação, informou que o castelinho pula-pula deveria estar fixado no chão. Uma rajada de vento levantou o brinquedo e teria jogado as crianças que brincavam. O fato iniciou a discussão na Câmara de Vereadores da Capital que ainda corre na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Embora ainda haja um vazio quando o assunto é normatização destas empresas, um passo já foi dado. A norma estabelecida será semelhante a da União Européia. A afirmação é do diretor do setor de comissões especiais da Câmara de Vereadores, José Carlos Lauter. Ele e mais quatro interessados de Curitiba, entre empresários do ramo de eventos e representantes ligados ao setor, foram até São Paulo para participar de duas reuniões na ABNT, em uma comissão montada com empresários do país inteiro para definir como será normatizada as questões ligadas a eventos.
Segundo Lauter, as reuniões começaram apenas em julho deste ano e os estudos devem terminar apenas em 2010. Lauter informou que é comum demorar mais de um ano para definir uma normatização.
‘’O montador, o responsável técnico, terão um treinamento básico com a normatização e terão que monitorar os ventos’’, explicou Lauter sobre uma das definições. De acordo com ele, as discussões mostraram que o acidente como o que vitimou as duas crianças em Curitiba podem acontecer sem prevenção.
‘’Estamos vendo ainda para que os fabricantes forneçam até as estacas para prender os brinquedos infláveis’’, afirmou. Após terminar as discussões, a ABNT deve levar a discussão à população para uma consulta pública e só se transformará em obrigatória após a publicação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). ‘’Mas o mercado já vai se adaptar após a ABNT normatizar’’, acredita. Lauter informou que os proprietários da Casquinha Eventos participaram apenas da primeira reunião.

Audiência
O proprietário da empresa Casquinha Eventos, Glécio Mussym, e o gerente da empresa, Ocimar Rodrigues, devem comparecer em audiência na 5ª Vara Criminal de Curitiba no próximo dia 8 de outubro. ‘’Era completamente impossível de prever e, independente, de medidas preventivas, como colocar as estacas, não evitaria o acidente’’, justificou o advogado Rafael Canzan.

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