Brincar reduz ansiedade de crianças em hospitais
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de julho de 2002
Érika Pelegrino<br> Reportagem Local 
Brincando as crianças aprendem a colaborar nos procedimentos médicos e diminuem o medo e a ansiedade. O resultado é a redução no tempo de hospitalização e, consequentemente, de custos. Em sua tese de doutorado, desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) e que será defendida em setembro, a psicóloga Maria Rita Zoega Soares, da Universidade Estadual de Londrina (UEL) faz uma pesquisa que aborda a utilização de brinquedos na preparação de crianças para procedimentos médicos hospitalares, incluindo intervenções cirúrgicas.
Seu trabalho será apresentado no 3º Congresso Mundial Toys, Game and Media, em Londres, em agosto. Profissionais de todo o mundo de diversas áreas irão participar. Do Brasil foram escolhidos apenas quatro trabalhos: dois de São Paulo, um do Rio de Janeiro e o da psicóloga Maria Rita.
Há dois anos ela está diariamente no Hospital da Zona Norte Anísio Figueiredo trabalhando com crianças entre 5 e 8 anos. A psicóloga trabalha no sentido de informar a criança sobre a intervenção médica que irá sofrer, ajudá-la a verbalizar seus sentimentos e pedir informações para o profissional de saúde sobre o que está acontecendo com ela.
O medo e a ansiedade da criança diminuem quando ela compreende o procedimento médico, conforme constatou a psicóloga em sua pesquisa. Mais calma, a criança também torna-se mais participativa e colaboradora. Numa inalação, por exemplo, ela segura a máscara, na hora da injeção ela se vira na posição que se sente mais relaxada.
Os suportes para o trabalho são brinquedos feitos de sucata, muitos deles construídos pela próprias crianças, e um livro de história feito a partir de dados da realidade destes pacientes, com personagens que têm as mesmas características das crianças e profissionais do hospital.
Através das brincadeiras, coordenadas pela psicóloga e uma estagiária, as crianças demonstram como se sentem, seus medos, dúvidas e até como é o comportamento dos profissionais de saúde que as atendem, se são agressivos, apáticos.
Enquantam brincam as crianças aprendem estratégias de distração, relaxamento, orientações de comportamentos de enfrentamento para diminuir o estresse. A psicóloga comprovou que o comportamento das crianças e dos pais melhoram. A criança pede informações ao médico, pede para enfermeira esperar um pouco quando acha necessário, colabora mais.
Maria Rita afirma que diminuem choros, protestos (não quero fazer), nervosismo, ter que imobilizar a criança para fazer determinado procedimento. A próxima etapa do projeto será direcionada para os profissionais de saúde. O projeto de Maria Rita foi desenvolvido com base na realidade social brasileira, levando em conta as limitações dos hospitais públicos. ''Muitos não têm psicólogos para este trabalho e podem habilitar outro profissional'', explica.


